Parece mentira, mas é verdade. Há mais de um ano, o antigo Hospital Siderúrgica está fechado. Depois de muito vaivém, o prédio passa por reformas, configurando-se mais um desrespeito ao povo do Vale do Aço.
Há pouco tempo, o governador Anastasia esteve em Governador Valadares, lançando a pedra fundamental para construção de um Hospital Regional. Nada contra essa conquista, mas somos merecedores de obra idêntica.
Uma região que abriga mais de 500.000 habitantes e que só conta com o Hospital Márcio Cunha, Hospital Municipal de Ipatinga e o Hospital Maternidade Vital Brazil, em Timóteo, não está devidamente assistida.
É lamentável a insensibilidade em permitir que se arraste, por tanto tempo, uma situação calamitosa com a população de Coronel Fabriciano, que ficou sem atendimento pelo SUS. Deveria ser tomada uma providência em caráter de urgência, até mesmo para afastar qualquer ilação de ações mais próximas do dia 7 de outubro.
Já o Hospital Vital Brazil comunicou e, de fato, suspendeu o atendimento de ortopedia médica, por falta de apoio das cidades circunvizinhas que fazem parte do Colar Metropolitano. Depois do alerta em vão, cinco médicos ortopedistas solicitaram o desligamento, por causa da sobrecarga nos atendimentos. E outros setores correm o mesmo risco.
O Vital Brazil atende, especialmente, a sete cidades do Colar Metropolitano. Na tentativa de reverter esse quadro, o hospital agendou reunião com representantes dos municípios, a fim de buscar uma saída para a superlotação e manter o atendimento em todas as especialidades. Porém, só Timóteo e Córrego Novo atenderam ao convite.
Conclusão: É muito cômodo para os demais municípios continuarem “gigolando” o Hospital Vital Brazil, a exemplo do que ocorre em Ipatinga com os hospitais Márcio Cunha e o Municipal, sempre abarrotados de doentes de muitas cidades que não se preocupam em ter pelo menos um Posto de Saúde para casos mais simples. Afinal, é mais cômodo comprar uma ambulância, e assim lavar as mãos.
Com a suspensão da ortopedia médica, e agora anunciando o encerramento da neurologia do Vital Brazil, vai agravar ainda mais a situação dessas especialidades no Márcio Cunha. Não bastassem os casos comuns, ainda convivemos com o agravante dos pavorosos acidentes na calamitosa Rodovia da Morte.
Diante dessas circunstâncias, é provável que o Márcio Cunha, vez ou outra, se veja impossibilitado de atender o aumento da demanda. Por isso, o governo estadual (ou seria o Dnit?) deveria manter um helicóptero de plantão para transportar os acidentados no trânsito até os hospitais de Belo Horizonte.
BR-381
A Fátima Salles, primeira presidente do Conselho da Mulher Empreendedora de Ipatinga, foi vice-presidente da Câmara Mineira dos Conselhos das Mulheres Empreendedoras. Entre suas ações de destaque, ela iniciou um movimento em prol da duplicação da BR-381, tendo recebido total apoio. Ao fazer o comunicado desta iniciativa na Aciapi, houve a sugestão para que este movimento fosse estendido a todo o Leste mineiro.
A interminável novela da duplicação da 381 é mais uma flagrante falta de respeito dos governantes com a nossa região, que tanto contribui para os cofres públicos, e pouco recebe em troca.
Por ocasião da campanha para eleição do presidente da República, durante um debate, foi informado que a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), cobrada do motorista a cada abastecimento de combustível, havia arrecadado mais de 60 bilhões de reais. No entanto, até aquela data só haviam sido aplicados pouco mais de 20 bilhões de reais na manutenção de rodovias. Não sabemos, mas suspeitamos para onde foi desviada a maior parte da vultosa grana.
Recentemente, os jornais publicaram uma reunião entre a presidente Dilma e o governador Anastasia, que resultou na promessa de repasse de seis bilhões de reais para modernizar o entorno de Belo Horizonte e... novamente, a propalada duplicação da BR-381.
Tenho minhas dúvidas se virá mesmo essa verba, tantos foram os “compromissos” assumidos solenemente em ano eleitoral e depois ignorados. Essa incerteza aumentou ao ler os jornais do dia 28 de junho, falando sobre a audiência pública realizada no sétimo andar da Prefeitura de Ipatinga, onde se constata que, se tudo andar nos conformes, a obra só começaria daqui a doze meses.
Quem se recorda que a então candidata Dilma veio a Minas, para dizer que ela é mineira, nascida em Belo Horizonte, e que tão logo assumisse a Presidência daria início à duplicação da BR-381? Comecei a desanimar dessa “palavra de honra” quando ocorreu a queda da ponte do rio das Velhas. Em vez de construir uma estrutura para estrada duplicada, realizaram uma obra compatível para trechos de terceira pista.
MG-760
A exemplo de mais uma expectativa pela duplicação da 381 (agora, ficou muito claro que o trecho Ipatinga/Valadares receberá apenas uma meia-sola), o asfaltamento da MG-760 também está na ordem do dia. Uma ligação segura no trecho de Timóteo à BR-262, além de facilitar o intercâmbio entre o Vale do Aço e a Zona da Mata, seria muito útil quando do fechamento das pistas da BR-381. Interessante que os governos sempre anunciam obras nas rodovias em ano eleitoral e ao aproximar o período de chuvas.
Há 24 anos, o meu filho Marcelo Martins Guerra, engenheiro civil, a serviço da Porto Real, atuou na fiscalização da terraplanagem e construção das pontes da 760. Porém, a pavimentação não passou de Cava Grande, distrito de Marliéria.
É lamentável. Podemos dizer que estamos ilhados, e os nossos governantes só querem arrecadar os nossos impostos. Retorno que é bom mesmo, não aparece.
Peço a Deus que meu pessimismo esteja errado e que essas obras saiam do papel o quanto antes.
*Maurício de Andrade Guerra, empresário, é um lagoano apaixonado pelo Vale do Aço.