25/07/2012 - 00h06
Passagens aéreas “salgadas”
Usuários temem valores inviáveis com monopólio do transporte aéreo


Wôlmer Ezequiel
Passageiros Trip
Usuários do transporte aéreo na região têm sentido no bolso o preço das passagens acima do esperado

DA REDAÇÃO – O processo de fusão da Trip Linhas Aéreas com a Azul, companhias que atendem o Vale do Aço interligando a região com os principais centros do País, em especial com Belo Horizonte, não tem agradado os usuários. A aliança tem trazido prejuízos aos bolsos de quem utiliza o transporte com frequência. Com o fim da concorrência no transporte aéreo regional, os preços promocionais são raramente encontrados e o valor da passagem custa até três vezes mais do que era praticado quando a Azul inaugurou seu atendimento na região.

A Azul, possível detentora de 80% da companhia resultante da aliança, esclareceu, em nota, que apesar de a empresa estar em processo de fusão com a Trip, o negócio em si ainda não alcançou aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Portanto, as companhias ainda estariam atuando de forma independente. Todavia, o valor praticado para os tickets nas duas empresas é cada vez mais semelhante e, o pior, pesado para o bolso do consumidor.

De acordo com a Azul, fatores como sazonalidade, compra antecipada, combustível (preço do petróleo) e disponibilidade de assento interferem nas tarifas aéreas. As melhores tarifas são encontradas, geralmente, com 21 dias de antecedência do voo. Compradas de última hora, as passagens têm um valor muito mais elevado. Ainda segundo a empresa, entre Santana do Paraíso e o aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, há tarifas a partir de R$ 79,90, por meio de reserva com antecedência mínima de 14 dias.

Pesquisando os preços das passagens no site da operadora de transporte aéreo para daqui a 30 dias, porém, a reportagem do DIÁRIO DO AÇO constatou apenas um dia com o valor mencionado. Nos demais, há valores de até R$ 299,90 – somente a ida do Vale do Aço até BH.

Piora
O médico Luiz Eduardo Calazans, 57 anos, reside em Ipatinga e é usuário frequente do transporte aéreo, juntamente com toda a família, que se reveza entre o município e a capital mineira. Ele já estima uma redução na utilização desse transporte com os preços inviáveis ao orçamento familiar. “Assim que foi apresentada a possível fusão das duas empresas, percebe-se que houve uma piora do serviço. É necessário cobrar da empresa um compromisso com o que estava sendo feito anteriormente. Com o monopólio, a empresa faz o que quiser, define um único preço e o consumidor final é quem sofre. A fusão não está trazendo benefícios para o consumidor, mas prejuízos”, ponderou o médico.

Impactos
Gestor do Arranjo Produtivo Local (APL) Metalmecânico do Vale do Aço, Augusto César de Barros Moreira pontua que o volume de passageiros no mês de junho que embarcou na região foi de quase trinta mil pessoas – número que poderia ter sido maior se o valor da passagem oferecido fosse mais “razoável”. “Há muitos empresários, inclusive, viajando de ônibus, enfrentando 12 horas de viagem para São Paulo, por exemplo, em função da quantidade de vezes que precisam se deslocar por mês. O preço do transporte aéreo é inviável. As siderúrgicas de maior porte da região continuam usando o meio com regularidade. O empresariado privado, todavia, encontra dificuldade para pagar os altos valores cobrados. A tendência, apesar da melhoria na estrutura do aeroporto local, é que o número de passageiros continue reduzindo”, observa.

Augusto César lembra que, para o período crítico vivenciado pela indústria metalmecânica nacional – que não é diferente no cenário da região – o problema dos altos preços das passagens de avião é um problema que pode agravar a situação da economia local. “Não somos apenas nós quem precisamos ir até o mercado, são nossos clientes que também precisam enfrentar essa despesa mais elevada para visitar a região. É uma situação que interfere na nossa competitividade de mercado”, pontua.

Preocupação
Elísio Cacildo, presidente da Agência para o Desenvolvimento de Ipatinga (ADI), afirma, por sua vez, que as entidades de classe pretendem se reunir com as empresas aéreas para discutir o assunto. “O transporte aéreo é de fundamental importância para o desenvolvimento da região. Entendemos que foi um passo muito importante a vinda da Azul para o Vale do Aço. Por outro lado, esperamos que a situação não volte à ‘estaca zero’. A proposta da ADI é conversarmos, juntamente com a Trip e Azul, perante a presença do empresariado local. A oferta do preço das passagens aéreas era para estar em um nível mais acessível. As tarifas elevadas são questionamentos que pretendemos apresentar às empresas. É uma preocupação de toda a comunidade, bem como do mercado do Vale do Aço”, concluiu o dirigente.

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Repórter : Wesley Rodrigues (Estagiário)

















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