Wôlmer Ezequiel

Pacientes esperam por atendimento no Hospital Municipal de Ipatinga
Com alterações ás 10h25 de 17/07
IPATINGA – Uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde, às 18h da próxima quinta-feira, vai tratar da situação do Hospital Municipal de Ipatinga (HMI). Desde a semana passada, os funcionários decidiram parar de fazer horas extras com o anúncio do corte do pagamento do trabalho adicional em junho. O hospital funciona em regime de letras em dois turnos, das 7h às 19h, e das 19h às 7h.
Para manter a unidade em pleno funcionamento, entretanto, o regime de trabalho exigia que muitos servidores atuassem além dos seus turnos. Sem horas extras, o serviço ficou comprometido com a redução de aproximadamente 40% do efetivo, segundo informações levantadas junto aos próprios servidores.
No fim da tarde de ontem, a Prefeitura de Ipatinga informou que adota medidas cabíveis para “dentro do possível, manter a média de atendimentos do hospital”, e que vai definir uma data para quitar as horas extras de junho, para os profissionais da saúde.
A suspensão das férias programadas foi uma das medidas adotadas e que gerou muitas reclamações entre os servidores. Ontem, pacientes que buscavam o atendimento no HMI e não conseguiam, protestavam diante da situação.
Membro do Conselho Municipal de Saúde, a assistente social Marcione Menezes Andrade disse esperar que, na quinta-feira, a Secretaria de Saúde apresente um parecer sobre a situação. “O Conselho ainda não tem uma resposta para essa questão. Ainda não foi informado, oficialmente, sobre uma solução”, explica Marcione.
Ofício
Na semana passada, um ofício enviado pela administração municipal à Superintendência Regional de Saúde, em Coronel Fabriciano, informou sobre a possibilidade de fechamento do HMI, caso não haja uma participação do Estado ou da União na crise que se abatece sobre o atendimento. Os números citados no documento apontam que Ipatinga arca com 97,5% das despesas do HMI, o que representaria dispêndio de cerca de R$ 3,2 milhões em recursos próprios. A queda na arrecadação, nos meses anteriores, teria inviabilizado a manutenção desse compromisso.
O ofício também alerta ao governo estadual que mais de 37% dos serviços do HMI são prestados para pacientes que chegam a todo instante de cidades vizinhas. Parte dessa sobrecarga é atribuida, pela Secretaria de Saúde de Ipatinga, ao fechamento do atendimento que o Hospital Siderúrgica prestava pelo Sistema Único de Saúde, em Coronel Fabriciano.
Quadro
Normalmente, cada técnico do HMI atende entre 5 e 6 pacientes que entram para atendimento. Com a redução no efetivo, que deixou de trabalhar em horas extras, esse número subiu para 12 pacientes por funcionário em trabalho normal de turno.
“Nos blocos A e B só permanecem internados os pacientes graves, que já estavam lá. São pessoas que demandam atenção integral dos técnicos e o recomendado, para a segurança dos próprios pacientes com a classificação vermelha. Nesse caso, o recomendável é que haja uma relação de 2 a 3 acamados por funcionário. Sem técnicos para esse acompanhamento, alguns leitos já estão vazios”, informa Marcione.
O corte de horas extras atinge também o serviço de transporte de pacientes nas ambulâncias. Na tarde dessa segunda-feira, apenas uma ambulância rodava. Uma das principais atividades é o deslocamento dos doentes ou acidentados mais graves para o Hospital Márcio Cunha.
Providências
Em nota, a Prefeitura de Ipatinga informou, no fim da tarde de ontem, que desde o ano passado trabalha para reduzir as horas extras dos profissionais de saúde, que deveriam ser eventuais e não recorrentes. “Para isso, realizou concurso público, exonerou mais de 50% dos cargos comissionados, extinguiu gratificações e adotou inúmeras outras medidas para controle da folha de pagamento”, mencionou o comunicado.
Ainda segundo a nota, é sabido que o Hospital Municipal Eliane Martins (HMEM), é referência para pacientes da macrorregião Leste de Minas Gerais. Diariamente, passam pelo hospital pacientes de 60 municípios, incluindo os do Vale do Aço. São aproximadamente 500 pessoas atendidas por dia, em média 15 mil pacientes por mês.
“A Prefeitura de Ipatinga acrescenta que adota medidas cabíveis para, dentro do possível, manter a média de atendimentos do hospital e vai definir uma data para quitar o valor referente às horas extras de junho dos profissionais da saúde”, conclui a nota oficial da PMI.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO
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