21/06/2012 - 10h16
EPIDEMIA FATAL
Ministério da Saúde aponta que mortalidade com motos supera a de carros pela primeira vez


Wellington Fred
moto
acidente

DA REDAÇÃO - Pela primeira vez nos registros do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade de motociclistas supera a de pedestres e a de outros veículos (carros, ônibus e caminhões), segundo levantamento divulgado esta semana.

O estudo mostra que o número de mortes em acidentes com motos aumentou 21% nos três anos anteriores (de 8.898 em 2008 para 10.825 óbitos em 2010). No mesmo período, os óbitos em acidentes em geral subiram 12% (saltaram de 38.273 para 42.844).

Com isso, a taxa de mortalidade cresceu de 4,8 óbitos por cada grupo de 100 mil habitantes para 5,7, superando a de pedestres (5,1) e a de outros veículos (5,4).

O levantamento aponta que o custo de internações por acidentes com motociclistas pagas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em 2011 foi 113% maior do que em 2008, passando de R$ 45 milhões para R$ 96 milhões. O crescimento dos gastos acompanha o aumento das internações, que passaram de 39,4 mil para 77,1 mil no período --aumento de 95%.

"O Brasil está definitivamente vivendo uma epidemia de acidentes de trânsito e o aumento dos atendimentos envolvendo motociclistas é a prova disso. Estamos trabalhando para aperfeiçoar os serviços de urgência no SUS, mas é inegável que esta epidemia está pressionando a rede pública", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha em entrevista quarta-feira, em Brasília.

Os acidentes com motocicletas estão acabando com jovens. Os dados divulgados apontam que eles são as principais vítimas: cerca de 40% dos óbitos estão entre a faixa etária de 20 a 29 anos. O percentual cresce para 62% entre 20 a 39 anos e chega a 88% na faixa etária de 15 a 49 anos. Os jovens do sexo masculino predominam as estatísticas. Representaram 89% das mortes de motociclistas.

SUS

O levantamento foi feito com base no nas internações por acidentes de trânsito a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH).

"O Ministério da Saúde vem melhorando a coleta de dados e qualificando as informações juntamente com as secretarias estaduais e municipais de saúde. Com a ajuda das delegacias, dos institutos médicos legais e dos hospitais, é possível qualificar mais a informação e fazer um melhor diagnóstico da situação dos acidentes, e assim, atuar com políticas públicas pontuais", diz a diretora de Análise de Situação em Saúde do ministério, Deborah Malta.

Crescimento da frota enriquece montadoras e contribui com tragédia nas ruas e rodovias

Além do crescimento de fatores de risco importantes como excesso de velocidade e consumo de bebida alcoólica antes de dirigir, Deborah Malta lembra o crescimento da frota de veículos como fator para o aumento do número de acidentes. E os dados são de dois anos atrás. Os dados estatísticos atualizados podem esconder números ainda mais alarmanentes em relação às mortes com motocicletas.

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o número de veículos registrados cresceu 16% entre 2008 e 2010, passando de 54,5 milhões para 65,2 milhões. Considerando apenas a frota de motocicletas, o aumento foi de 27%.





















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