Marcello Casal - Agência Brasil

BELO HORIZONTE - A criação, em Minas Gerais, de um observatório de estudos sobre o crack e outras drogas foi uma das propostas que surgiu na audiência pública que a Comissão Especial para o Enfrentamento do Crack realizou nesta terça-feira (5/6/12).
A reunião teve como objetivo debater o papel da educação no combate à droga e na reinserção social de seus usuários. Autor do requerimento para a realização da audiência, o deputado Paulo Lamac (PT), presidente da comissão, abriu os debates indicando que a discussão sobre a Educação no enfrentamento da droga era um desdobramento das audiências já realizadas pela comissão.
“Escolhemos inicialmente cinco eixos temáticos para debater o problema: prevenção, tratamento, repressão, financiamento e reinserção social. A necessidade de discutir mais de perto a questão da Educação surge em termos da prevenção”, pontuou.
No que se refere ao combate ao crack, a Educação pode contribuir atuando especialmente sob três aspectos, na avaliação do professor da PUC-Minas, Luiz Flávio Sapori. Primeiro, na produção de conhecimento, mapeando o fenômeno, oferecendo informações sobre as especificidades da droga e as metodologias de tratamento ao dependente.
“É preciso se produzir conhecimento para instrumentalizarmos quem lida com os usuários”, destacou. Um segundo aspecto no qual a Educação pode ter papel fundamental, destacou, é na capacitação de profissionais da área médica, psiquiátrica, psicológica, do serviço social e da educação. O terceiro aspecto diz respeito à prevenção.
O professor lembra que ainda são parcos os conhecimentos sobre o crack. Sabe-se com certeza que a droga gera um grau de dependência muito grande e imediata, mas é preciso saber mais. “O crack requer conhecimentos diferenciados, que exigem pesquisa”, disse. Nesse sentido, Sapori sugeriu a criação, em Minas Gerais, de um observatório de estudos sobre o crack e outras drogas.
“Seria um observatório formado por várias universidades, que atuariam de forma articulada. Os recursos poderiam vir da Fundação de Amparo à Pequisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Defendo a ideia de que essa instituição financie pesquisas multidisciplinares sobre o crack em Minas, por meio de uma linha de financiamento específica para esse fim, até 2015. Seria gerado, assim, um conhecimento sobre o assunto, para o estabelecimento de políticas públicas”, defendeu.
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