Wellington Fred

Governo admite que índice de crimes violentos no Vale do Aço atingiu proporções preocupantes
IPATINGA – O governo de Minas Gerais planeja uma ação de inteligência e coordenada para frear o crescimento do crime em três regiões específicas do Estado. As regiões metropolitanas de Belo Horizonte e do Vale do Aço e a cidade de Montes Claros estão com índices acima da média. Em entrevista nesta semana, em Belo Horizonte, o governador informou que em algumas regiões mineiras ocorre a migração do crime.
Para o governador, trata-se de um fenômeno resultante da adoção de ações coordenadas de combate à criminalidade em uma determinada região ou cidade. “Agora o secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, demonstrou, por meio de números, que nós temos três regiões problemáticas. A RMBH, a cidade de Montes Claros e o Vale do Aço. Para essas regiões com piores indicadores, vamos desencadear ações coordenadas e integradas”, anunciou o governador.
Antonio Anastasia foi questionado sobre o que seriam as tais ações integradas. O governador explicou que os mecanismos de segurança terão que autuar nos crimes que ocorrem mais e chegar à prisão dos envolvidos. “Será indispensável a atuação do Ministério Público e do Judiciário para que sejam feitas essas prisões. Será um processo permanente de inteligência e integração de forças”, concluiu Anastasia.
O governador enfatizou que o Ministério Público é o titular da ação penal, apresenta a punição para o juiz julgar e decidir. “Por isso digo que, no momento em que nós estamos integrando a participação do Ministério Público, nós estamos aprimorando o funcionamento de toda a máquina da Defesa Social no Estado”, afirmou o governador.
Para o chefe do 12º Departamento da Polícia Civil em Ipatinga, delegado Walter Felisberto, a declaração do governador deixa a convicção de que algo será feito. Mas o delegado explicou que o Vale do Aço ganhou destaque estadual nos índices de crimes violentos pontualmente, por causa dos homicídios em Ipatinga e em Coronel Fabriciano.
Para o delegado, os números estão muito acima dos registrados nos anos anteriores. O anúncio do governador, acrescenta o chefe do 12º PPC, foi precedido de uma série de reuniões com o secretário de Defesa Social e a chefia da PC em Belo Horizonte. “Antes ainda foi tema de reunião com o comandante da 12ª Região da Polícia Militar, coronel Geraldo Henrique Guimarães. O fato é que nós temos um diagnóstico do problema local. Temos dados, levantamentos, e essas ações anunciadas pelo governador são para que fechemos o ano com uma queda acentuada no índice de crimes”, informou o delegado.
Causa
No caso específico dos homicídios em Ipatinga e Coronel Fabriciano, o chefe do 12º DPC afirma que não se trata de pessoal de fora. A maioria dos homicídios está relacionada ao comércio de drogas ilícitas. “Os dois crimes andam juntos, o tráfico de entorpecentes e os homicídios. A forma de se resolver desavenças entre os traficantes e entre os próprios usuários é no crime contra a vida. Eles resolvem com a violência e isso reflete em toda a sociedade. As pessoas envolvidas matam e também são mortas, mas é preciso esclarecer que a maioria deles é da própria região ou já está aqui há muito tempo”, detalhou.
Por ser um problema local e já mapeado, o delegado acredita que um plano de enfrentamento surtirá resultados. E o caminho para isso será um maior rigor nas apurações, prisão e pena para os envolvidos.
Sobre os recursos necessários, Walter Felisberto disse não ter dúvidas que, quanto mais bem aparelhada, melhor será a atuação da polícia. Entretanto, reconhece que a maior carência da região é quanto ao efetivo. “Precisamos de mais recursos humanos. Em termos de recursos materiais, está a contento. Quando não temos os recursos humanos suficientes, trabalhamos com o que temos. Podemos mudar as práticas e melhorar os resultados”, concluiu.
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Onda de crimes
Relatório extraoficial sobre homicídios no Vale do Aço mostra que, até a tarde dessa terça-feira, Ipatinga (240 mil habitantes) teve o registro de 32 crimes violentos contra a vida. Serão 33 mortes, se for considerada a execução de um homem de 45 anos, morador do bairro Canaã e encontrado morto no dia 18 de fevereiro, na estrada de Cordeiros, em Caratinga. Esse índice representa 1,5 homicídio para cada grupo de 10 mil habitantes. Já em Coronel Fabriciano (110 mil habitantes) foram registrados, até ontem, 26 homicídios, o que representa 2,36 homicídios para cada grupo de 10 mil habitantes.
Timóteo (78 mil habitantes) já teve registradas, neste ano, sete mortes violentas, o que representa menos de um homicídio por cada grupo de 10 mil pessoas.
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