28/05/2012 - 23h35
Vítimas da intolerância
Violência contra mulher registra números elevados na região e comissão propõe medidas de controle


Divulgação
DELEGACIA
MULHER
MG
Em 2011 foram registrados 385 inquéritos policiais em Ipatinga

IPATINGA – A Câmara Municipal sediou, nesta segunda-feira (28), uma discussão sobre a violência contra a mulher no Vale do Aço. A audiência foi solicitada pela deputada Rosângela Reis (PV) e contou com a presença de Elmina Ferreira, presidente do Conselho Municipal da Mulher de Ipatinga; Carmen Rocha subsecretária de Estado de Desenvolvimento Social; Dalmo Ribeiro Silva, deputado estadual (PSDB); Lívia Athayde Oliveira, delegada especializada de Atendimento à Mulher de Ipatinga.

Rosângela Reis (PV) destacou que as ocorrências envolvendo agressões contra as mulheres são muitas e o maior número dos casos acontece dentro de casa e são camuflados pelo medo. “Temos o exemplo recente de uma arquiteta que morreu em Ipatinga vítima de violência do ex-marido”, disse. Ainda em sua fala, a parlamentar afirmou que é preciso mais recursos no orçamento para melhorar a rede de proteção à mulher.

A parlamentar apresentou três requerimentos solicitando providências sobre a violência contra a mulher. O primeiro pede ao Tribunal de Justiça do Estado, agilidade na instalação de uma Vara Criminal Especializada para atender casos de violência contra a mulher no Vale do Aço.

O segundo solicita ao delegado regional da Polícia Civil, Gilberto Simão de Melo, e ao comandante da Polícia Militar, coronel Geraldo Guimarães, informações sobre dados estatísticos referentes à violência doméstica e familiar contra a mulher no Vale do Aço. O último solicita ao secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, e ao secretário de Desenvolvimento Social, Cássio Soares, informações sobre os valores de recursos investidos pelo Estado em ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar em Minas e no Vale do Aço.
 
Apoio

A presidente do Conselho Municipal da Mulher de Ipatinga, Elmina Ferreira, apresentou um dado alarmante aos deputados da Comissão Especial da Violência contra Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais: a instituição recebe, todos os meses, cerca de 50 denúncias de agressão contra mulheres. O número, para ela, ainda é muito inferior à realidade, tendo em vista que as mulheres têm medo de procurar o conselho e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Idoso e Criança, que existe na cidade.

Ela contou que o desafio é criar uma equipe especializada para atender as vítimas e uma casa de apoio que preste assistência a essas mulheres na cidade. Segundo Elmina, é preciso tirar do papel as políticas públicas que defendem os interesses das mulheres. “Estado e município têm que investir recursos próprios, caso contrário, a situação não irá mudar. A violência não é só física, mas psicológica e de carência de apoio por parte do poder público”, alertou.
 

Divulgação
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Quadro de violência contra as mulheres relatado durante audiência é alarmante

Quadro
A delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Idoso e Criança de Ipatinga, Lívia Athayde Oliveira informou que em 2011 foram registrados 385 inquéritos policiais. A delegada lembrou que a violência não escolhe classe social, religião ou raça. Segundo ela, aproximadamente 65% das mulheres já sofreram algum tipo de violência, seja física, moral, psicológica ou patrimonial na região.

“Dos crimes contra a mulher, aproximadamente 50% ocorre dentro de casa. Por isso, é preciso que a Lei Maria da Penha tenha efetividade”, citou. Ela lamentou que a delegacia ainda é carente de servidores e, por isso, muito casos ficam escondidos por falta de atendimento. A delegada explicou ainda que a mulher não permanece na situação de violência porque quer, mas por fatores que a inibem, tais como financeiro e social.
 

O diretor regional da Sedese, Mauro Nunes, alertou que, só em uma cidade do Vale do Aço, uma pesquisa recente mostrou que “98% dos homens já cometeram algum tipo de violência, verbal, psicológica ou sexual contra mulheres”. Ele acredita que o Poder Judiciário precisa conscientizar mulheres e homens para o que é crime e suas sanções. Mais que isso, ele entende que a sociedade civil organizada precisa participar desse processo, cobrando providências para que a realidade mude.
 

O tenente Lindon Johnson, representante da Polícia Militar, afirmou que a corporação está preocupada com a violência doméstica, por entender que os infratores de hoje foram fruto de uma família dominada por agressores. Dessa forma, os registros feitos em Ipatinga são sempre atendidos, também, por policiais mulheres, para que o atendimento seja feito de forma qualificada. “Foram 108 prisões realizadas em 2011. Esperamos que os números caiam, mas estamos atentos para esta situação”, prometeu.
 





















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