29/05/2012 - 00h00
O custo China e a competitividade
Especialista faz palestra sobre a internacionalização das MPEs


Divulgação/Cláudio Meirelles
Porto de Xangai.jpg
Infraestrutura é ponto forte na distribuição da produção chinesa

IPATINGA – A internacionalização das Pequenas e Médias Empresas (MPEs), a globalização e oportunidades de negócio no mercado chinês foi o tema de palestra na Unipac Ipatinga, na noite desta segunda-feira (28). Promovida pela Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais (Federaminas), o evento trouxe o economista Cláudio Meirelles, professor de Comércio Exterior na Universidade Paulista e um dos sócios da Baumann Consultancy Network, que possui matriz em São Paulo e escritórios em Pequim (China) e Padova (Itália).

Com a experiência de quem morou por um ano na China e mantém há cinco a empresa que foca o comércio internacional, engenharia, serviços técnicos e consultoria internacional, Meirelles é também diretor da Baumann Trevol, que realiza missões internacionais para entidades e governo. Recentemente levou um grupo de empresários – entre eles mineiros do Vale do Aço – para a China para visitas a feiras e contatos comerciais. Os mineiros tendem a fechar negócios nas áreas de materiais de construção, material para escritório e informática.

Na palestra de ontem à noite, Cláudio Meirelles abordou para o público as novas estratégias de mercado, o uso da internacionalização das pequenas e médias empresas, formação de redes entre empresas, governo e entidades para desenvolver cidades ou regiões. “Discutimos benefícios e problemas. Quando falamos de internacionalização das MPEs tratamos de três possibilidades básicas: importação de matéria prima para baratear o custo da produção, importação de tecnologias (maquinários, por exemplo) e ou a compra do produto final. São os três caminhos para a redução considerável dos custos e aumento da competitividade”, enfatizou o palestrante.

Outra possibilidade é a exportação de produtos diferenciados. Meirelles cita um exemplo prático: recentemente, por meio da filial da Baumann em Padova, Itália, foi levada para uma exposição em Pequim o modelo de porta italiana, com 3 metros altura, banhada a ouro e com design italiano, ao custo equivalente a R$ 30 mil a unidade. A empresa saiu da feira com contratos de entrega para a própria China e ainda Sul da Ásia, e Oriente Médio.

Informação
Para Cláudio Meirelles, a grande dificuldade é o conhecimento necessário para aproveitar as potencialidades criadas com a globalização. No entendimento do especialista são barreiras superadas por meio de suas entidades de classe, Sebrae e outras entidades.

“Um dos mitos é que da China só se pode comprar em grandes quantidades. Isso não procede. Fala-se também da falta de qualidade dos produtos. O empresariado precisa é saber onde e como comprar produtos de qualidade. Outro grande problema é a dificuldade na comunicação com a China, mesmo por causa da barreira da língua. É em questões como essa que atuam empresas como a Baumann, em convênio com a Federaminas. Propomos resolver a falta de informação de lá para cá e, daqui para lá, facilitamos a comunicação”, explica.

Palestras
Cláudio Meirelles vai atuar em um ciclo de palestras pelo interior de Minas Gerais. Depois de passar por João Monlevade e Ipatinga, Caratinga, Teófilo Otoni, Valadares, Araxá, Patos de Minas, Uberaba, Arcos e Juruaia.

O presidente da Federaminas, Wander Luiz Silva, informa que o objetivo principal é mostrar que o empresariado brasileiro também pode vender, para a China e outros países. “O que a China faz hoje é comprar matéria prima barata, produzir e revender para o Brasil. A ideia é estimular o empresário a pensar fora da caixa local. Nós queremos, nesse contrato com a Baumann, permitir que o empresário local chegue ao mercado internacional. É uma proposta nossa, lançar até um MBA em mercado internacional. Será uma especialização voltada para o mercado chinês. O curso deverá ser aplicado em Belo Horizonte, na sede da Federaminas, com a chancela da Unipac e da Baumann”, explicou.

Uma oportunidade, ao invés de um problema

Sobre a invasão dos produtos chineses e a ameaça para a indústria local, o consultor Cláudio Meirelles é pragmático. Para ele, a China não é um problema competitivo, mas uma potencialidade. “A globalização trouxe problemas, mas grandes soluções. O que mudou foi o fato de o concorrente não estar ao lado da empresa em Ipatinga ou em Timóteo. Ele pode estar na África, na Ásia ou em qualquer outro lugar. É muito forte. Quem não se mover vai fechar as portas. Não há outro caminho”, avalia.

Ao invés de barreiras contra a importação, Cláudio Meirelles defende outro caminho para a indústria nacional, como a redução da carga tributária, novas tecnologias de produção, matéria prima mais barata ou então comprar para revender. “Não há receita mágica nesse campo de atuação. Lembro apenas que, em uma reunião de empresários brasileiros com um embaixador chinês, eles reclamaram que a China está destruindo a indústria brasileira. O embaixador então lembrou que, quando a indústria de calçados do Brasil cresceu, isso destruiu a indústria calçadista da Itália. E os italianos buscaram alternativas. Esses são os aspectos da globalização”, detalhou.

O que os chineses compram?

Com apenas 7% de seu território agriculturável, com maior parte tomada por desertos e montanhas, falta de tudo. Atualmente, os chineses compram 23% da comida produzida no mundo, explica Cláudio Meirelles. Hoje os produtos dos Estados Unidos e países europeus dominam o mercado. “É possível tomar um bom vinho, mas você não vai encontrar nenhuma garrafa de vinho brasileiro lá. Você encontra sucos de laranja, tomate e maçã. Mas não encontra sucos de frutas brasileiras lá.]


Wôlmer Ezequiel
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Cláudio Meirelles: um ano na China e empresa para consultoria

O anti-custo do país asiático

Por que é mais barato produzir na China? A pergunta, explica Cláudio Meirelles, é recorrente. E a resposta não é curta. Mas é possível resumir a pontos chaves, como a logística lastreada ao transporte ferroviário. Nenhum país exportador, explica Meirelles, usa rodovias, como o Brasil. Depois a estrutura portuária. A título de exemplo, lembra que o Brasil possui hoje oito portos funcionando. Na China, só o rio Pérola, com 200 km de extensão, possui 12 portos. O porto de Xangai é um dos maiores. Foi construído em uma ilha interligada por uma ponte de 38 quilômetros de extensão. Opera com 68 gruas em um sistema abastecido com energia eólica, com torres geradoras instaladas no meio do oceano.

Em relação ao custo da mão de obra, a China não possui leis trabalhistas como no Brasil, mas um salário mínimo chinês, pago a trabalhadores de baixa qualificação (cerca de US$ 50) tem poder de compra muito maior do que o salário mínimo brasileiro ou estadunidense. Um trabalhador qualificado recebe em torno de US$ 2 mil/mês.

Por fim, as empresas têm somente um imposto por ano. Para Meireles, o empresário não sente a mão do governo, uma realidade que os técnicos chamam de anti-custo da China. “É verdade que eles ainda usam mão de obra infantil. Há muita riqueza nos grandes centros, e uma pobreza imensa no interior, mas nos anos anteriores uma população maior do que a do Brasil saiu da linha de pobreza e passou a integrar a classe média. É um país onde existe furto, mas não existe assalto à mão armada e a polícia chinesa não usa armas”, conclui.
 











VILMA SILVA
29/05/2012 - 23h09
SE ACABAR COM OS POLITICOS CORRUPITOS DO BRASIL.QUEM E A CHINA PARA CHEGAR NO NOSSOS PES,LA NAO TEM POLITICO LADRAO,AQUI NO BRASIL TEM SE PRECISAR ATE ESPORTA POLITICOS KKKKKKKKKKKK.











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