27/05/2012 - 00h00
Usiminas demite 15% dos trabalhadores de Ipatinga
Daniel Miranda Soares (*)


Segundo a jornalista Denise Carvalho do portal “Brasil Econômico”, os novos executivos da Usiminas comandada pelos argentinos (Techint) já iniciaram os cortes para diminuir custos e aumentar lucros. Segundo a reportagem de 15/05/2012, a empresa demitiu 300 trabalhadores da usina Intendente Câmara, de Ipatinga, em Minas Gerais, nas últimas semanas, e deve dispensar mais de 1 mil nos próximos meses.

Essas demissões representarão cerca de 15% da mão de obra da unidade, que emprega 8 mil trabalhadores, com capacidade instalada de produção de 5 milhões de toneladas de aço.

A empresa, que acabou de eleger o executivo Paulo Penido, para presidir seu Conselho de Administração, quer arrumar a casa para voltar a dar lucro. Procurada por “EXAME.com”, a assessoria de imprensa da siderúrgica não conseguiu confirmar a informação até a publicação da reportagem.

Já o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), filiado à Força Sindical (entidade mais conservadora), diz que tudo não passa de boatos. Reduzir custos é uma das metas da Usiminas para os próximos meses. Com a estratégia, a companhia pretende superar o momento delicado que vem enfrentando já há alguns meses. No primeiro trimestre do ano, a Usiminas registrou prejuízo de R$ 37 milhões.   

Segundo a mesma jornalista citada antes, “As siderúrgicas CSN, Gerdau e Usiminas são o retrato trágico dos efeitos da crise mundial e do avanço do produto importado no país, que derrubou o preço do aço nos últimos anos”.

Desde 2007, a rentabilidade das companhias despencou para menos da metade. A Usiminas, que hoje tem o grupo ítalo argentino Techint no bloco de controle, está na lanterna: a siderúrgica mineira viu sua rentabilidade cair de 22,9% em 2007 para 1,9% em 2011, registrando margem negativa de 2,45% no primeiro trimestre do ano. Na Gerdau, o índice caiu de 11,6% para 4% no período. A CSN, de Benjamin Steinbruch, chegou a registrar margem de 41,24% em 2008 e agora oscila em 22%. Vantagem de Steinbruch: sua divisão de mineração ganhou relevância no caixa, neutralizando a queda do negócio de aço.

A Usiminas copiou estratégia 2011, adquirindo mineradoraemSerra Azul (MG) e uma segunda fábrica de vagões em Congonhas (MG), iniciada em janeiro deste ano (a primeira funciona em Santana do Paraíso).

Queda nas vendas impacta no lucro. A Usiminas anunciou em março deste ano lucro líquido de R$ 77 milhões no quarto trimestre de 2011, com declínio de 72,5% no confronto com igual período do ano anterior. Em 2011, o lucro da companhia foi contabilizado em R$ 404 milhões, baixa de 74%, em ritmo anual. 

O executivo Julián Alberto Eguren responde pelo comando da Usiminas desde janeiro deste ano. O argentino substitui Wilson Brumer, que estava na presidência da empresa desde 2009. Eguren, de 48 anos, foi nomeado pelo Conselho de Administração que passa a ter nova composição no bloco de controle: grupo Nippon, com 29,44% das ações ordinárias (que dão direito a voto), empresas Tenaris e Ternium, do grupo Techint, com 27,66%, e Caixa dos Empregados da Usiminas, com 6,75%.      
Mas as coisas já estão melhorando para o setor siderúrgico brasileiro a partir das novas medidas tomadas pelo governo federal este ano. A redução da taxa de juros, por exemplo já está impactando na desvalorização do Real.

Para os analistas da Concórdia Corretora, Leonardo Zanfelicio e Karina Freitas: “A nova faixa do câmbio aliado às resoluções fiscais vigentes devem reduzir o volume de importações de aço. Desta maneira, poderá haver espaço para as siderúrgicas locais efetuarem reajustes nos preços, com o objetivo de recompor parte das margens operacionais que ficaram tão comprimidas nestes últimos três anos”, acrescenta relatório da Concórdia, que prevê retomada das vendas de aço e minério de ferro já no 2° trimestre de 2012.

Esta semana (dia 21/05) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reduziu oIPI(Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis; reduziu juros para aquisição de bens de capital, caminhões e ônibus; reduziu o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para operações de crédito e aumentou os recursos disponíveis para o financiamento de veículos (reduzindo os depósitos compulsórios). Com estas notícias a Usiminas já pode estancar as demissões.   

Segundo analistas da Planner Corretora o pacote do governo impacta possíveis efeitos sobre o setor siderúrgico, principalmente com a maior venda de aços planos para a produção de automóveis pela Usiminas e CSN. “Dessa forma, esta medida pode reverter este quadro de redução nas vendas do setor, principalmente de aços planos. A Gerdau também pode ser beneficiada com estas medidas, dado que a empresa produz aços especiais e arames, produtos também usados na produção de peças para indústria automobilística”, afirmam os analistas.

* Daniel Miranda Soares é economista e ex-pesquisador da Fundação João Pinheiro
 

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