O governo lançou, ontem, um pacote de medidas para fomentar os negócios na indústria automotiva nos moldes bem parecidos do que fez para a mais recente crise econômica mundial. Isenção de IPI para carros mil e redução progressiva para os de maiores cilindradas estão entre as medidas mais importantes, além da redução dos juros do IOF para contratação de financiamento passando de 2,5 para 1,5% e, principalmente, ampliou o prazo do financiamento. Em contrapartida, as montadoras darão desconto de até 2,5% e não farão demissões.
A questão é que, ao mesmo tempo em que se incentiva o consumidor a financiar um carro zero, a inadimplência, nesta operação de crédito, bate acima dos 5% e corresponde a mais de 1 bilhão de reais que não estão sendo recebidos. Quando muito, os veículos estão sendo devolvidos.
Estas medidas não são mais inéditas e encontram um quadro diferente da crise passada. Dá medo de que o repertório da equipe econômica esteja rareando. Sério, não há uma medida nova e com fundamentos que possam realmente evitar efeitos colaterais e, o mais provável, é o aumento da inadimplência. Estamos precisando vender produtos de maior valor agregado para o mercado externo, para gerar dinheiro “novo” em circulação. E isto tem se demonstrado muito difícil em função de a Europa, em especial, os países da zona do euro, se verem às voltas com uma crise que não sinaliza para um final ou mesmo uma alternativa viável, haja vista que a Grécia não se posiciona politicamente em relação à adoção das medidas austeras impostas pelo Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e, principalmente, da Alemanha de Ângela Merkel.
Estas medidas repetem uma fórmula que já deixou um passivo de inadimplência e que afeta, sobremaneira, a manutenção do spread bancário alto. Contraditória esta situação, uma vez que no mês passado a presidente Dilma começou uma cruzada contra os bancos privados para que estes diminuíssem taxas de juros e, consequentemente, o spread bancário. E agora, se o spread bancário reduzir e a inadimplência aumentar? Com certeza teremos uma crise nos bancos e aí, terá que vir dinheiro público para salva-los, como muitas vezes no passado isto já aconteceu.
É um circulo vicioso, não? E como estão os pátios das concessionárias de Vale do Aço?
PRÓ-VALOR COMEÇA PELAS INDÚSTRIAS DO VALE DO AÇO
Deu no jornal Valor Econômico de quinta-feira (24), que o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), deverá anunciar um programa de incentivo à indústria metal mecânica. As medidas vão beneficiar numa primeira fase apenas o Vale do Aço, que tem Ipatinga como principal polo. O programa está sendo tratado pela equipe de Anastasia como o primeiro passo de uma política industrial regional. “O governo poderá conceder políticas fiscal, de crédito e de desenvolvimento de soluções tecnológicas diferenciadas para as empresas que entrarem no programa”, antecipou ao Valor o secretário estadual adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fábio Veras.
Caro leitor, antes de discutir os incentivos, o governo pretende definir, juntamente com algumas empresas de Ipatinga e região, o desenvolvimento de alguns produtos que tendem a ter mercados abertos no médio e longo prazos. Produtos para a indústria naval – já fornecidos por algumas empresas do Vale do Aço –, para os setores de petróleo e gás, ferroviário, mineração e de estruturas portuárias são alguns dos vistos pelo governo como centrais para negócios futuros. Demonstra, na prática, o quanto o Sindimiva (Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Ipatinga), na figura do seu presidente, Jéferson Bachour Coelho, o quanto a sua gestão é marcante e influente a nível estadual. Desenvolveu, ao longo dos últimos 03 anos, ações que puderam dar um novo direcionamento de negócios à nossa região, diminuindo a dependência das gigantes do aço.
Hoje, além dos projetos governamentais que são atraídos para a nossa região, a crise que se abate na siderurgia poderia ter causado um ônus econômico muito maior à nossa região, mas a diversificação de mercados como o Naval/Off shore, Petróleo e Gás e Energias renováveis, possibilitaram a muitas empresas uma carteira de serviços constante. Outra entidade de grande importância neste processo é a Amiva – Associação Mecânica Industrial do Vale do Aço, através da Rede de Negócios Metalmecânica e presidida pelo empresário Jorge Luiz Lima Vello, que possibilitou competitividade de custos às empresas através da negociação coletivas de matérias-primas estratégicas. E, por fim, o não menos importante Sebrae Regional Vale do Aço que, através do seu gerente regional, Fabrício Fernandes, foi o berço de todas as ações estratégicas através do projeto GEOR – Gestão Estratégica Orientada para Resultados.
Para o Pró Valor, ainda segundo o jornal Valor Econômico, para definir os segmentos com mais chances de vingar nos próximos anos ou décadas, o governo está contratando a Fundação Cristiano Otoni, do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também participa da ação e está ajudando a financiar essa etapa piloto do programa. A implementação do programa vai custar R$ 1,5 milhão.
DICA DE EMPREGO
A Usiminas Mecânica está recrutando trabalhadores para sua fábrica em Santana do Paraíso. São postos de trabalho para montadores de caldeiraria, soldadores MIG e maçariqueiros (corte manual tartaruga). Os candidatos devem ter ensino fundamental completo, experiência na função e disponibilidade para trabalhar de turno.
Os interessados devem comparecer ao Centro de Desenvolvimento de Pessoal (CDP) da Usiminas (Av. Pedro Linhares, 5431, no bairro Usiminas) às terças e quintas-feiras, das 7h30 às 9h30. Para a inscrição, o candidato deverá levar todos os documentos pessoais, principalmente carteira de trabalho, comprovante de escolaridade e uma foto 3x4.