12/05/2012 - 00h01
Jovens Nunes obtêm sucesso com TI
Acusados de abandono intelectual no passado, pais colhem frutos de ensino diferenciado


Wôlmer Ezequiel
davi e 
jonatas
Davi, 19 anos e Jônatas. 18 anos, trabalham cocm desenvolvimento de tecnologia da informação

DA REDAÇÃO – Protagonistas de uma discussão que ganhou o País, especialmente no âmbito educacional entre os anos de 2007 e 2010, dois jovens timoteenses que foram educados em casa colhem resultados de um ensino diferenciado e que, agora, prova-se, derrubou paradigmas.

Hoje, com 18 e 19 anos, respectivamente, Jônatas Andrade Amorim Nunes, e o irmão, Davi Andrade Amorim Nunes, foram tirados da escola convencional em Timóteo, quando tinham menos de 14 anos, e inseridos em um método de ensino em casa, adotado em diversos países, mas estranhamente sem reconhecimento oficial no Brasil.

Por causa da decisão da família, o caso se tornou um grande debate nos tribunais e foi notícia no exterior. “Pode uma criança ser socializada, estudando em casa, sem o convívio diário com as diferenças em um ambiente escolar convencional?”, indagavam os que divergiam do método.

Mas os jovens que estudam em casa não ficam isolados do restante da sociedade. É só na hora dos estudos que cumprem determinadas horas de estudos em casa, defendia a família, que é evangélica.

Passados cinco anos da celeuma, os jovens autodidatas atuam no desenvolvimento de sistemas de informação. Eles agora moram no município de Vargem Alegre e estão prestes a lançar dois produtos no mercado. Davi tem se especializado em programação e Jônatas em multimídia. “Ambos trabalham juntos”, explica o pai, Cléber Nunes.

A reportagem procurou pelos dois jovens ontem, em Vargem Alegre, mas apenas Davi estava em casa. Jônatas viajava para São Paulo, para receber uma premiação, das mãos do governador Geraldo Alckmin.

Os irmãos se inscreveram para participar do Prêmio Mário Covas, que incentiva o desenvolvimento de inovação em gestão estadual. Eles venceram uma categoria e ficaram em segundo na outra. Foram desenvolvidos projetos de reestruturação do portal Acessa SP e uma plataforma de aprendizagem online. “Jônatas foi a São Paulo, receber a premiação em uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes”, explica o pai.


Wôlmer Ezequiel
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Aplicativo
As conquistas dos jovens vão além. Davi e Jônatas também participaram de um concurso promovido pelo portal de compras Submarino. Sagraram-se vencedores do Open Innovation Submarino 2012, lançado para premiar os autores das ideias mais criativas e inovadoras.

Davi Nunes ganhou R$ 10 mil em compras no portal Submarino. Os irmãos também ganharam passagem de ida e volta com estadia para o mesmo evento nos Estados Unidos, programado para o mês de agosto.

Entenda o caso da Família Nunes

Em 2006, insatisfeito com o rendimento dos filhos na escola pública em que estudavam em Timóteo, mas sem recursos para pagar uma escola particular, o pequeno empreendedor industrial e designer Cléber Nunes, lembrou-se do homescholling, método de ensino em casa que conheceu quando esteve nos EUA.

Arrumou os livros necessários, tirou os filhos da escola e os iniciou nos estudos. Além de idiomas e ciências exatas, os adolescentes se debruçaram sobre conhecimentos de informática.

Ocorre que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação consideram a instituição escolar tradicional uma obrigação da família, pelo menos até os 14 anos, no Brasil.

Denunciados por um vizinho ao Conselho Tutelar, o caso foi levado ao Ministério Público. O pai, Cléber Andrade Nunes, e a mãe, Bernadeth de Amorim Nunes, foram processados na Comarca de Timóteo, cidade onde moravam até 2010.

Jurisprudência
O caso virou um debate interminável nos tribunais em dois processos, um Cível e outro no Juizado Especial Criminal. O Juízo da Infância e Adolescência de Timóteo, depois de acatar a denúncia do Ministério Público no processo Cível, condenou o casal ao pagamento de multa e a retornar com os adolescentes para a escola convencional.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou um recurso ingressado pela defesa do casal e manteve, em 5 de dezembro de 2008, a decisão da primeira instância. À época, o relator do processo, desembargador Almeida Melo, afirmou que não via razão na decisão da família. “O ensino brasileiro equipara-se ao de países de Primeiro Mundo e havia escolas públicas tão boas quanto as particulares. Na questão do ensino, o Brasil já deveria ser classificado como país de Primeiro Mundo”, relatou o ufanista desembargador. 

Suplência
Para o MP e a Justiça, não bastou que a família comprovasse que os filhos haviam absorvido amplo conhecimento com o método de ensino em casa. Para provar essa condição, os dois adolescentes foram submetidos a provas semelhantes às da Suplência de Ensino, pela Secretaria de Estado de Educação, em janeiro de 2008. As notas foram acima de 70% (Davi) e 65% (Jônatas) mesmo em disciplinas que não constavam do cronograma do homescholling. “O fato de serem altamente disciplinados para a concentração permitiu que eles aprendessem rapidamente o conteúdo das disciplinas que cairiam nas provas”, justificou o pai à época.

O caso da família Nunes foi o primeiro que enfrentou a Justiça. Anteriormente, havia apenas o caso ocorrido em 2000, quando houve a tentativa de uma família de Anápolis (GO), no sentido de legalizar o ensino na modalidade homeschooling. O pedido foi negado na terceira instância do Judiciário. Também não foi o último caso em Timóteo. Atualmente, há denúncia semelhante contra duas famílias que adotaram o mesmo método de ensino no município, e outros casos estão em vias de ser denunciados.

Defensores do Ensino em casa solidários ao casal

No processo Criminal em que o casal Nunes era acusado do crime de abandono intelectual, por decidir tirar os filhos da escola e os educar em casa, a sentença foi uma multa. O caso foi arquivado em função da maioridade dos estudantes.

Mas tinha também o processo Cível, em que a família foi condenada a pagar o equivalente a 12 salários mínimos (R$ 7.467 em valores de hoje). “Já vasculharam nossas contas bancárias e buscaram dados no Detran para penhorar bens. Chegaram a bloquear R$ 20 que esquecemos na conta do Banco do Brasil.

Com uma divulgação desse desdobramento, várias pessoas, inclusive dos EUA e da Espanha, se ofereceram para pagar a multa para nós, mas jamais pagarei esta multa, simplesmente porque não a devo. O site Lifesitenews divulgou bastante esta matéria, e o Onenewsnow também”, explicou Cléber Andrade Nunes. 

O QUE JÁ FOI PUBLICADO:

Casal Nunes prepara novo recurso - 06/12/2008

TJMG mantém condenação cível do casal Nunes - 05/12/2008

Juiz adia decisão sobre casal Nunes - 31/10/2008

Veja vídeo sobre a premiação:




Repórter : Alex Ferreira







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FÁBIO R.
27/09/2013 - 09h30
ACRETITO QUE QUANDO E FEITO O ENSINO COM UM COMPANHAMENTO,E REALIZADO TESTE DE CONHECIMENTO,POR UMA ESCOLA, MAIS PROXIMA DA RESIDENCIA, OU ESCOLIDA PELOS PAIS, DESDE QUE LEGALISADA,PARA TER CERTEZA QUE AS CRIANÇAS NAO ESTAO SENDO EXPLORADAS OU MALTRATADAS E CERTO O DIREITO DOS PAIS EM ESCOLHER,COMO OS FILHOS SERAO EDUCADOS,OU NAO ESTAMOS NUM PAIS LIVRE


Helinho
11/05/2012 - 23h15
O comentário do F é a prova do que uma escola convencional é capaz de deixar na cabeça de um aluno. Que pobreza!. Parabens à familia que enfrentou e venceu o poder, a (in)justiça, a incompreensão e a intolerância.


Kati
11/05/2012 - 21h33
Isso sim, neste último comentario postado dia 11/05 às 13h51, é um abandono intelectual. Imagine se eu quero que meu filho tenha apenas este tipo de lembrança neste longo período de aprendizado? Fala sério!!! Eu adotei e aprovo o ED.


F
11/05/2012 - 13h51
Estudei em Escola Pública. No pré escolar, lembro-me que briguei com um garoto chamado Elias. Primeiro ano, chegou uma aluna, de um circo, estudou 1 mês e foi embora, era linda, nome Emília, nunca me esqueci. Segundo ano, minha amiga Márcia me deu um beijo a força e eu era o melhor no pique esconde. Terceiro ano, tirei 10 na primeira prova de matemática e conheci o Marcos, meu amigo até hoje. Quarto ano, a professora me deu um biliscão que ficou roxo e no amigo oculto, ganhei um abraço da Amanda. Quinto ano, tudo mudou. Escola nova, amigos novos, eu ia pra aula numa bicicleta cinza. Sexto ano, desfilei no sete de setembro e metade da turma foi suspensa por roubar uma prova. Sétimo ano, passei raspando em matemática, fomos tomar banho no rio e Paulo que sentava atrás de mim quase morreu afogado. Oitava série, tinhamos um grupo que improvisava um pagode, e a prof Helena me pegou colando. 1 ano seg grau: ainda rezavamos no pátio e uma aluna (Cidinha, desmaiou). 2 ano seg grau: ainda tenho contato com uns 5 dessa época, trocamos emails, e caimos na risada qndo lembramos do corte de cabelo coletivo que fizemos. Último ano: eramos os maiorais da escola, até arriscavamos ir sem uniforme, fizemos uma camisa que tenho guardada, mesmo depois de tanto tempo. Depois vem a faculdade, etc, etc. SE MEUS PAIS TIVESSEM ME PRIVADO DISSO TUDO, EU NUNCA IRIA PERDOA-LOS.











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