18/03/2012 - 00h00
ARTIGO - Homens e animais
João Senna escreve sobre a crise de autoridade dentro das salas de aula


Reprodução vídeo
aluna
bate 
professora

“Cachorro morder homem" não é notícia. “Homem morder cachorro", era! Essa norma do jornalismo caducou, tal a proliferação de malucos que, turbinados por drogas cada vez mais potentes e letais, mordem cães pastores durante abordagens policiais, e animais ainda mais ferozes em outras situações.

Em contrapartida, no Brasil, aluno bater em professor virou rotina, é algo absolutamente normal. Mas se um professor esbarrar, repreender, impor um leve castigo, tá ferrado! Se bater, então...

O caso mais recente, infelizmente, ocorreu em Coronel Fabriciano, mais precisamente na Escola Estadual Rotildino Avelino, no bairro Santa Cruz. Uma aluna, inconformada com a apreensão de um bilhete que repassaria a uma colega de sala, desferiu um tapa no rosto da professora. Foi dominada por outro aluno, mas antes de ser levada para a porta da sala, escapou e acertou outra bofetada na educadora. A sequência dessa estupidez, postada no Youtube, foi exibida à exaustão nos telejornais dessa semana. Na maioria dos canais, como uma notícia a mais. Mas alguns âncoras registraram a indignação por mais essa selvageria em uma sala de aula.

Anexo ao vídeo postado na rede, o comentário de um estudante da classe onde ocorreu a agressão, proclamava no corpo do e-mail: “revouta de aluna – o que faser com uma professora KKKKKKKKKKKKK”. Mais um aluno capenga que se “agarante” no português, e que pensa ser craque no humor negro...

O mais preocupante tem sido a nítida tendência para se botar panos quentes nesse caso, o que explica em parte a crescente violência nas escolas, especialmente contra o professor. Foi dito, até mesmo, que as partes teriam fumado o cachimbo da paz.

Não se trata de defender a tese do olho por olho, mas a tática de sempre protelar uma decisão mais firme só contribui para agravar o problema. A persistir o deixar como está pra ver como é que fica, o episódio vai cair no esquecimento, quando deveria servir de ponto de partida para uma série de discussões. Quem chega os 15 anos sem a noção de respeito a alguém, precisa, tardiamente, tomar contato com regras básicas de civilidade. A própria aluna sairia fortalecida e o pedido de desculpas, meramente protocolar, seria feito com sinceridade, na verdadeira dimensão desse gesto.

Apesar de muitos clamarem no deserto, a maioria dos brasileiros considera “normal” a roubalheira desenfreada e outros péssimos exemplos de mau comportamento de políticos, magistrados, policiais e autoridades. Quem pensa dessa forma, deveria prestar atenção nas palavras de Jussara de Barros, graduada em Pedagogia. Segundo ela, “a violência estampada nas ruas das cidades, a violência doméstica, os latrocínios, os contrabandos, os crimes de colarinho branco, têm levado jovens a perder a credibilidade quanto a uma sociedade justa e igualitária, capaz de promover o desenvolvimento social em iguais condições para todos, tornando-os violentos, conforme esses modelos sociais.”

Conforme a pedagoga, com recortes de jornais e revistas, pesquisas, filmes, músicas, desenhos animados, notícias televisivas, dentre outros recursos, os professores podem levantar discussões acerca do tema numa possível forma de criar um ambiente de respeito ao próximo, considerando que todos os envolvidos no processo educativo devem participar e se engajar nessa ação, para que a mesma não se torne contraditória. “E muito além das discussões e momentos de reflexão, os professores devem propor soluções e análises críticas acerca dos problemas a fim de que os alunos se percebam capacitados para agir como cidadãos”, pontua.

Não custa lembrar que muitos educadores entendem que credibilidade e a confiança são as melhores formas de mostrar que é possível vencer os desafios e problemas que a vida apresenta. É exatamente nesse ponto que reside outro grande entrave da atualidade: na suposta preocupação de assegurar proteção total às crianças e adolescentes, há um enorme compêndio de iniciativas que tolhem e inibem o papel daqueles que ainda teimam em ser pais ou professores responsáveis. A meninada não pode ser confrontada com um “não” ou qualquer outra situação que supostamente as magoe e que acabam impedindo-as de sentir a vida como ela é.

E como o artigo foi iniciado com uma citação sobre cães, há uma gritaria geral quando caem na rede cenas de maus tratos a animais. Não se vê a mesma reação quando a vítima de uma humilhação é o professor...

O caos na educação vai muito além do pagamento do piso nacional. É revoltante, e não revoutante como grafaria o humorista de plantão...
 

O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO:

Escândalo em escola - 13/03/2012


Caso de agressão a professora vai parar no MP - 15/03/2012













IVANY VIEIRA GOMES
21/03/2012 - 19h55
Guarda Mirim de Cel Fabriciano. Muito se colheu, pouco se perdeu. Mas como dizia o saudoso Kafunga no Brasil o errado e que o certo,











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