02/12/2017 11:48:00

Último suspiro



Divulgação

Qual o balanço que se pode fazer do Campeonato Brasileiro que termina neste domingo? O Corinthians, campeão merecidamente mesmo sem encantar, levantou a taça após fazer um primeiro turno excepcional, caiu de produção no segundo, onde fez campanha de time rebaixado, mas acordou após a vitória de 3 x 2 sobre o maior rival, Palmeiras, engatando novamente a série de vitórias que o levou ao título com três rodadas de antecipação.

O Cruzeiro fez para o gasto e deve terminar em quinto lugar, mas poderia ter ido mais longe não fosse a situação resolvida com a conquista da Copa do Brasil, que lhe assegurou o direito voltar a disputar a Libertadores no próximo ano e o fez acomodar.

Já o Atlético decepcionou com uma campanha pífia, muito abaixo das expectativas para o elenco caro que montou, e sofre nesta última rodada dependendo não apenas de si, mas de outros resultados de concorrentes para conquistar uma vaga na maior competição continental.

Do ponto de vista da qualidade do futebol não houve nenhum grande time neste Brasileirão, ninguém muito “acima da média” dos demais, nem mesmo o Grêmio, que para ganhar a Libertadores desprezou a maior competição nacional utilizando reservas em várias oportunidades, como faz hoje no seu último compromisso, diante do Galo, no Independência.

Mesmo sendo “mediano” e com vários times de qualidade técnica bastante duvidosa, o Campeonato Brasileiro é - ou deveria - ser o foco principal dos nossos principais clubes, sobretudo pela fórmula de pontos corridos, que vigora desde 2003 e que se trata da melhor e mais justa forma para apurar as melhores equipes, utilizada e aprovada em todo o mundo.

Vamos, Chape!
O mundo relembrou, na última quarta-feira, que há um ano atrás perdemos um time inteiro, além de dirigentes e jornalistas, na maior tragédia aérea da história mundial. Naquele 29 de novembro de 2016, o mundo todo foi Chapecoense. Pelos quatro cantos do planeta ecoou um grito amoroso e triste: “Vamos, Chape”!

Vendo hoje depoimentos das viúvas dos atletas e de alguns familiares dos nossos colegas jornalistas também vitimados pela tragédia, sobre como vivem hoje sem a presença de seus entes queridos, bate-nos um misto de tristeza, revolta e ao mesmo tempo esperança, pois como escreveu Guimarães Rosa, “viver é um descuido prosseguido/ o senhor já sabe: viver é etecetera”.

Voltando à situação que vive hoje o clube do Oeste de Santa Catarina, que recebeu o apoio do mundo e, se quisesse, poderia permanecer três anos na Série A do Brasileiro, sem ser rebaixado. Acertadamente, sua diretoria recusou a benesse, “em respeito aos demais concorrentes”.

E hoje, um ano depois da tragédia, após ter montado outro time, outra diretoria, chega à última rodada do Brasileirão em um honroso 9º lugar, 51 pontos ganhos, sem ameaça de rebaixamento, à frente de gigantes como Galo e São Paulo, com grandes chances inclusive de voltar à Libertadores, em 2018, com as suas próprias pernas.

Fé, trabalho, esperança. Mais ou menos assim é a explicação para quem crê na existência de um ser superior a tudo: a queda daquele avião matando 71 pessoas, deixando 7 sobreviventes, não pode ter sido em vão.

FIM DE PAPO
Ao derrotar com autoridade o Lanús por 2 a 1, com dois belos gols, um de Fernandinho, ex- Galo, e outro de Luan, o Grêmio ganhou o tricampeonato da Libertadores e se habilitou para jogar o Mundial de Clubes da Fifa, semifinal no dia 12 de dezembro e final, muito provavelmente contra o Real Madrid, no dia 16, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Ao menos para os gaúchos, as férias do futebol não vão começar neste domingo quando termina o Campeonato Brasileiro. O goleiro Marcelo Grohe, o volante Arthur e o meia Luan ganharam, merecidamente, os prêmios de melhor do torneio, melhor jogador da final e melhor jogador da Libertadores, respectivamente. Depois do Galo em 2013, um time brasileiro volta a ser o campeão continental. Mandou muito bem!

No Atlético, que terá eleição para indicar a nova diretoria no próximo dia 11, anuncia-se a contratação do volante Arouca, 31 anos, do Palmeiras. Para quem precisa rejuvenescer seu elenco esta não é a solução, até porque ele possui um histórico de contusões graves e ganha um alto salário.

Dos trintões que a meu juízo deveriam permanecer, puxa a fila o zagueiro-capitão Leonardo Silva, 38 anos; Robinho, se aceitar uma redução de salário; o goleiro Victor e Fábio Santos, por seus méritos próprios. Quanto ao artilheiro Fred e o volante Elias, se aparecesse um clube interessado levaria na hora. Quanto aos “reforços”, só se forem jogadores jovens e promissores.

Dizem que pardal e cambista tem em todo lugar. Na semana passada, o Palmeiras distribuiu gratuitamente ingressos para a sua torcida assistir as finais dos Campeonatos Paulista Sub-11 e Sub-15, no Allianz Parque. E não é que, antes dos jogos da garotada, em volta do estádio, cambistas cobravam de R$ 20 a R$ 30 pelos bilhetes gratuitos?

A situação incomodou alguns conselheiros palmeirenses, e a reclamação foi parar na diretoria alviverde. Há suspeita de participação de empregados do clube na facilitação da aquisição dos tíquetes gratuitos pelos cambistas. Muito embora a direção do Palmeiras prometa tomar medidas punitivas aos infratores, ninguém acredita que o problema será solucionado.

A semana foi relativamente calma, em se tratando de acusações e troca de farpas na política interna do Cruzeiro. A eleição para novos conselheiros do clube foi barrada na justiça. Como é comum se ouvir aqui nos nossos grotões, após a derrota de 1 x 0 para o Vasco, no Mineirão, Thiago Neves, principal jogador da atual equipe, “bateu na cangalha para o burro entender.

Deu o recado: “Não conheço quem vai chegar, mas a gente espera que seja o mesmo ambiente. Como falei há algum tempo, que não venham para nos atrapalhar, pois em se tratando do nosso ambiente, ele é o melhor possível. Que os futuros cartolas e também os atuais deixem a vaidade pessoal abaixo dos interesses do clube”. Thiago Neves (Fecha o pano!).


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