13/11/2017 17:35:00

Campeão mediano



Divulgação

O Corinthians foi o melhor time – disparado - do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mas caiu de produção no segundo, onde chegou a fazer campanha de time rebaixado.

Porém, quando todos pensavam que a taça de campeão escaparia das suas mãos, a equipe se recuperou após a vitória de 3 x 2 sobre o maior rival, o Palmeiras, e agora só depende de uma vitória simples, amanhã, sobre o Fluminense, em casa, para dar a volta olímpica e comemorar com a sua torcida o heptacampeonato nacional.

Do ponto de vista da qualidade do futebol, não há nenhum time neste Campeonato Brasileiro que possa ser considerado “muito bom” ou “ótimo”, o que torna o nível da competição — e de seus participantes — não mais do que regular, como sinônimo de “mediano”.

Analisando sob o ponto de vista da qualidade técnica, o próprio virtual campeão, Corinthians, chega a ser o melhor exemplo de futebol “mediano”, pois, em nenhum momento, fez uma exibição de encantar a sua torcida.

Nossos casos
A conquista do pentacampeonato na Copa do Brasil, que lhe garantiu o direito de disputar a Copa Libertadores, em 2018, salvou a temporada do Cruzeiro, que caminhava para se tornar um grande fracasso.

Caso queira de fato ter alguma chance de conquistar, pela terceira vez, o maior torneio continental, terá de fazer pelo menos três a quatro contratações de peso, o que vai demandar um alto investimento, sabendo-se que a nova diretoria irá encontrar um quadro financeiro desfavorável.

No Galo a situação é parecida financeiramente, com o agravante que neste momento o clube está fora até mesmo da Pré-Libertadores, o que pode piorar ainda mais a situação em termos de arrecadação.
Quando os resultados não aparecem, há uma forte tendência de se achar que nada presta, a imprensa aumenta o tom das críticas e a torcida entra na pilha, pegando no pé dos jogadores, principalmente aqueles que ganham altos salários.

Mas no início da atual temporada, todos nós elogiamos as contratações sem nos dar conta de que a média de idade do time ficou muito elevada, o que agora carece de correção, com a dispensa de vários “medalhões” e a contratação de jogadores mais jovens.

O problema é que o provável futuro presidente, o advogado Sérgio Sette Câmara, já sabe que terá uma margem bem menor para investir em contratações, deixando o cenário bastante incerto para 2018.

FIM DE PAPO
• O Corinthians é um caso à parte, um exemplo do modo inadequado como estamos analisando o futebol hoje neste país. Ou seja: julgamos os times muito mais pelos resultados, pelo placar, do que pelo desempenho, pela atuação.

O Corinthians, virtual campeão nacional, não é a beleza que estavam proclamando na primeira parte do campeonato, mas também não é nem de longe a ruindade que muitos acham e o criticamos, mesmo estando agora com a taça nas mãos. Nem uma coisa nem outra. O Corinthians é o intérprete deste campeonato mediano, irregular, volúvel. Os dois se representam. Até por isso, tem tudo para ser o campeão amanhã.

• Dias atrás foi eleita a seleção do ano da Fifa, que, sem nenhuma dúvida, tem o ataque mais representativo do futebol atual e mundial: Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. Aliás, não por acaso, foram estes mesmos três que disputaram também o título de melhor do mundo em 2017. E de novo ganhou Cristiano Ronaldo. Se há algo fácil para mim neste século do futebol, é a escolha de melhor jogador do mundo, que tem ficado entre o português e o argentino. Os dois são craques indiscutíveis em qualquer ponto da história do futebol.

• Cristiano Ronaldo é o mais festejado por quem dá muito valor às estatísticas, aos números, pois o que este português mais tem acumulado são títulos, recordes de marcas pessoais e com o seu clube, o poderoso Real Madrid, além da seleção de Portugal, em quantidade de gols, inclusive gols que decidem jogos e campeonatos. É um homem decisivo, matemático, ou para usar a palavra da moda na mídia, “cirúrgico”.

• No meu caso, com muitos anos de janela, vejo o futebol um pouco diferente da maioria. Aprecio mais o jogo bem jogado, espetáculo, os jogadores com suas atuações coletivas e individuais, dribles, passes, visão do campo, criatividade e improvisação. Por isso, sempre vou colocar o argentino Lionel Messi como o melhor do mundo, o que não atrapalha a admiração que tenho pelo português.

• Quanto a Neymar, que outra vez ficou em terceiro lugar, penso que ainda não virou adulto, mesmo do alto de seus 25 anos, bem abaixo de Ronaldo (32) e Messi (30). Penso que Neymar está no caminho e tem tudo para chegar lá, talvez no próximo ano, se levar o Brasil ao título mundial na Rússia.

Com a bola, ele indiscutivelmente tem tudo para ser o próximo número um do mundo. O problema é a cabeça dele, que às vezes é miolo mole, às vezes cozido, às vezes... de vento. Mas quando deixar de ser menino e virar adulto, vai ganhar a Bola de Ouro muito fácil. (Fecha o pano!)


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