10/11/2017 10:11:00

Nêgo Roque” é o segundo disco de OQuadro

Trabalho já nas plataformas digitais une hip hop, soul e trap e desenha um retrato do país



O segundo disco d’OQuadro, “Nêgo Roque” (Natura Musical), foi produzido pela própria banda, em parceria com Rafa Dias e gravado no Estúdio T, em Salvador, mixado por André T. e masterizado por Felipe Tichauer (USA).

Rafael Ramos/Divulgação


OQuadro está nas plataformas digitais com Nêgo Roque
O trabalho apresenta elementos das vivências pessoais do grupo, formado por Jef Rodriguez (voz), Nêgo Freeza (voz), Rans Spectro (voz), Ricô (voz/baixo), Rodrigo DaLua (Guitarra e Synth), Vic Santana (bateria), DJ Mangaio (programações) e Jahgga (percussão).

“Desde 2012 não lançávamos um disco, e tivemos um tempo de amadurecimento como pessoas e como músicos, por conta de nossas andanças. A música não desiste da gente, então não vamos desistir dela”, diz o baixista Ricô.

Para criar uma sonoridade híbrida, foram usadas referências dos clássicos e novidades do rap, rock, zouk, soul e eletrônica, além de músicas típicas da Jamaica e do Estado baiano. “Tem muita informação, mas ao mesmo tempo é minimalista, traz uma ideia bastante atemporal.

Achamos que soa moderno e antigo”, dizem os integrantes da banda. Com base nesses gêneros musicais, a produção mistura uma melodia violada com um groove de baixo e resulta em um som que os artistas chamam de música negra contemporânea.

O álbum independente foi feito em processo colaborativo, com parceiros como Raoni Knalha, BNegão, Emicida, Indee Styla, Pedro Itan e DJ Gug.

Como tema central, os artistas levantam questões sobre os valores sociais, bens culturais e existencialismo, apresentando o olhar do cidadão nascido no interior da Bahia ou em qualquer periferia, que enxerga a cultura hip-hop como arte contemporânea popular.

Os músicos contam por meio da música aquilo que os livros ainda insistem em apagar.

“A voz do nosso povo resistiu e está mais viva do que nunca, lutando pelo protagonismo ao recontar a história. Nossas letras evidenciam o conceito de humanidade, negritude, fé e militância, abordados não como hipóteses acadêmicas, mas maturados pela vivência dos compositores”, diz Jef Rodriguez.

Esse manifesto surge em letras como “Trabalho”, com um refrão movido a samba como pano de fundo para narrar o cotidiano de um trabalhador.

“Ainda é Cedo”, faixa que abre o disco, lembra que relações de poder sempre têm um fim, em relação aos políticos corruptos e a situação atual do Brasil. Estas mensagens permeiam as faixas de “Nego Roque”, que é ciência egípcia e fé etíope, dor e sorriso, leveza e tensão.

A batida do coração converte-se em tambores orgânicos e digitais. A arte contemporânea faz das ruas sua galeria e ateliê. É mais que distorção, é transgressão, que não se encaixa em moldes nem prateleiras.

O projeto foi patrocinado pelo edital Natura Musical e Governo do Estado da Bahia, através do FazCultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura, com gestão empresarial da Isé Música Criativa. O disco está disponível para audição em http://bit.ly/2z9Kysf.


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