08/11/2017 11:05:00

Teatro Nervoso

Coletivo ipatinguense relembra a tragédia ambiental ocorrida em Mariana



A maior tragédia socioambiental da história do país será lembrada pelo Grupo Teatro Nervoso, de Ipatinga, no espetáculo Rejeitos, uma criação coletiva dirigida por Camila Vaz, cuja estreia vai acontecer no sábado (11), às 20h, no Espaço MUT, Centro de Ipatinga (ao lado da rodoviária).

O rompimento da Barragem do Fundão, no subdistrito de Bento Rodrigues (distrito de Santa Rita Durão), em Mariana, em 5 de novembro de 2015, deixou 19 mortos, devastou fauna e flora e poluiu as principais fontes de água da Bacia do Rio Doce até a foz em Regência, no Oceano Atlântico.

André Rissi/Divulgação


O elenco promete uma experiência realista da tragédia
No palco, os atores levam o público a uma experiência realista da tragédia ambiental de Mariana, que também afetou Ipatinga. “O espetáculo traduz um intenso trabalho de pesquisa, feito em artigos de jornais e outras mídias, entrevistas, fotos e vídeos com moradores atingidos pela catástrofe”, explica Camila Vaz.

Contribuíram com a pesquisa os fotógrafos Nilmar Lage, Rodrigo Zeferino e Pedro Bastos, que fizeram a cobertura fotográfica do acidente e cederam imagens dos fatos. O grupo participou ainda de uma palestra com Camila Brito, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“O elenco foi impactado pelos relatos dos moradores dos povoados de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, e do município de Barra Longa, os mais prejudicados pela lama, que perderam pessoas, casas, memórias, objetos pessoais, dinheiro, empregos que dependiam do rio e da natureza e a própria relação entre eles e o espaço que habitavam”, diz Camila.

O impacto do desastre na vida das pessoas foi convertido pelos atores em cenas individuais. No elenco, Nilmara Castro, Camila Mendonça, Natália Fonseca, Marcela Fernanda, Marisa Satler, Júnia Reis, Monica Mendes, Nick Viana e André Rissi.

Camila Vaz também é iluminadora do espetáculo. A arte visual é de Gustavo Jácome, com fotos de Nilmar Lage. Na trilha sonora estão Quando vale?, da banda belo-horizontina Djambê, e Homem versus Homem, do grupo Cavalo Motor, de Governador Valadares. A produção é de Michel Ferrabiamo, e a realização é do Teatro Nervoso e Casa Cult.

Formação
A história do Grupo Teatro Nervoso liga-se à Casa Cult Darci Di Mônaco, espaço cultural criado em 2013 para divulgar a memória do pioneiro do teatro ipatinguense. Entre as várias atividades desenvolvidas estão a formação de intérpretes e a promoção de eventos artísticos e culturais.

O Teatro Nervoso nasceu do curso livre de teatro da Casa Cult, em 2016. O grupo apresentou como trabalho de formatura a peça Teatro Nervoso, do dramaturgo Luiz Carlos Góes. Rejeitos é sua segunda criação, com novos atores e coordenação de Camila Vaz, que também é atriz, dubladora e contadora de histórias.

Para a coordenadora da Casa Cult Isabella Ribeiro, Rejeitos representa duas vitórias. “De um lado, a continuidade e amadurecimento do trabalho de um coletivo de teatro que nasceu em nossa casa. Do outro, um repúdio a um desastre ambiental cujas reparações continuam ineficazes. A peça é a nossa forma de não deixar que a tragédia seja esquecida” concluiu Isabella.


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