04/11/2017 10:43:00

Ficou pior



Divulgação

Um dos principais assuntos da semana foi a decisão do Conselho Arbitral, composto pelos clubes que disputarão o Campeonato Mineiro da Série A, em 2018, de virar a mesa e alterar a fórmula da disputa em vigor há vários anos, retornando com mais um mata-mata, agora em um jogo único chamado de quartas de final.

Todos nós sabemos que o estadual aqui nos nossos grotões, bem como no resto do país, virou pão dormido há muito tempo, e deveria ser reformulado, modernizado, a meu juízo com a entrada dos três “grandes” da capital somente na fase decisiva.

Mas esta é uma hipótese quase remota, já que a Federação, Atlético, Cruzeiro e América, satisfeitos e acomodados com o que recebem hoje da Rede Globo, não querem saber de mudar nada do que aí está.

A Globo, por sua vez, ainda não se sente incomodada, mesmo com os baixos níveis de audiência das transmissões, sobretudo porque tem grandes patrocinadores dispostos a pagar por qualquer coisa que eles chamem de futebol em sua tela no horário nobre.

Para se ter uma ideia da discrepância que existe em relação à distribuição do dinheiro da TV, basta dizer que Atlético e Cruzeiro recebem R$ 13 milhões cada um. O América recebe R$ 3 milhões, sobrando para cada um dos “bambalas” e “arimatéias” do interior cerca de R$ 300 mil.

Caso tivessem um mínimo de inteligência, os cartolas do interior, ao invés de mudar a fórmula de disputa, que já é ruim e ficou ainda pior, fariam, isto sim, um movimento para exigir mudanças no critério de distribuição do dinheiro da TV, a fim de aumentar a merreca que recebem hoje e que não dá sequer para pagar a folha salarial de um mês.

Boa sugestão
Há algum tempo, o jornalista e amigo Chico Maia publicou em seu blog uma sugestão de mudança na fórmula do Campeonato Mineiro, que a meu ver seria ideal e traria de fato uma mudança de verdade, com benefícios para todos os participantes, inclusive os ”grandes” da capital, às voltas com o calendário maluco do futebol brasileiro.

A ideia é simples: implantar uma fórmula ao estilo da Copa do Mundo, com a disputa do título no espaço de um mês, mas com a realização de torneios eliminatórios em todas as regiões do estado, o ano todo, o que daria emprego para centenas de atletas, treinadores e profissionais do futebol em geral, além de baratear o custo da competição.

Isso acabaria com esses monstrengos criados pela Federação e chamados de Terceira Divisão, Módulo II etc, abrindo espaço para uma só divisão, onde o interior teria direito a 28 vagas para clubes classificados em torneios regionais, mais o campeão do ano anterior e os três “grandes” da capital, totalizando 32 clubes, como é na Copa do Mundo, decidindo o título em um mês com jogos decisivos e atrativos.

A fórmula ideal é esta do Chico Maia, que repetiu a sugestão em seu blog esta semana, e que, no meu entendimento, significaria um passo à frente para o futebol mineiro, e não este retrocesso que estamos vivendo.

FIM DE PAPO
No próximo dia 13 será a vez dos representantes dos clubes do chamado Módulo II, na prática a 2ª Divisão, que dá acesso à 1ª, se reunirem para aprovar a fórmula de disputa, hoje a mais deficitária de todas as competições promovidas pela FMF, com excesso de jogos, baixo nível técnico, estádios com gramados e instalações péssimas, arbitragens ruins, viagens longas, caras e desgastantes, sem receber qualquer ajuda ou patrocínio da TV ou da Federação Mineira.

Aliás, a única que lucra de verdade com a atual fórmula do nosso estadual é a Federação Mineira, que não paga o salário de nenhum atleta, mas obtém um faturamento excepcional às custas do miserê dos clubes, sobretudo do interior, esfolando a todos com suas taxas e outros penduricalhos, sem dó nem piedade de ninguém.

Além disso, recebe da TV um percentual dos direitos de transmissão, que ninguém sabe ao certo, mas se supõe seja algo em torno de 10% do total, coisa que poderia chegar a R$ 5 milhões.

Ipatinga e Social, os dois representantes da região, que se preparem para arcar com o prejuízo financeiro que terão a partir de abril do ano que vem, quando essa bagaça chamada Módulo II começar, tudo por conta do sonho de retornar à elite do futebol estadual.

A fórmula atual, cuja tendência é ser mantida, prevê a formação de dois grupos de seis clubes, que jogarão primeiro entre si em turno e returno dentro do grupo, classificando-se três de cada chave para formar um hexagonal, onde novamente jogarão todos contra todos, em jogos de ida e volta, totalizando cerca de 20 partidas para cada clube cumprir, isso se ele chegar até o fim da disputa.

Se não houver desistências por falta de grana e algum juízo de algum dirigente, o grupo A deverá ser formado por Uberaba, CAP (Clube Atlético Portal) de Uberlândia, Mamoré de Patos de Minas, Guarani de Divinópolis, Betinense de Betim e Democrata de Sete Lagoas. A chave B provavelmente terá Ipatinga, Social, América de Teófilo Otoni, Tricordiano de Três Corações, Nacional de Muriaé e Tupynambás de Juiz de Fora.

Entre outras aberrações, Ipatinga e Social poderão jogar, por exemplo, quatro vezes contra o Tricordiano, caso passem à fase final. “O futebol no mundo deveria ser interrompido em alguns períodos para as pessoas refletirem, desconstruírem muitos de seus conceitos, perceberem as besteiras que disseram e que fizeram, para daí construírem novas maneiras de ver a vida e o futebol”. Tostão. (Fecha o pano!)


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