27/10/2017 18:19:00

Pedala, Ipatinga



Divulgação

A mobilidade urbana é uma tendência sem retorno, e mesmo que muitas administrações espalhadas por este país ainda não tenham entendido que este é o caminho, vai chegar a hora em que não teremos mais volta e isso haverá obrigatoriamente que receber um grande investimento, para mudar o modo de vida do cidadão e a infraestrutura territorial dos municípios.

Ipatinga, por exemplo, é uma cidade que ainda não se preocupou com isto. Aqui sempre foi pensado no fator carro, ônibus, motos, e nunca nos ciclistas e pedestres. Não há uma política voltada para a diminuição da poluição causada pelos veículos, e é comum engarrafamentos em qualquer local da cidade onde haja apenas um pequeno acidente.

As nossas ciclovias são deficientes, mal sinalizadas, esburacadas, e não há uma continuidade ligando os bairros da cidade, facilitando a vida dos adeptos da prática do ciclismo.

Quando houve um acidente fatal com um ciclista na entrada do bairro ferroviário, onde uma ciclovia corta uma avenida de trânsito intenso, houve manifestações dos clubes de ciclistas e da comunidade, mas o apelo não foi ouvido, a travessia continua no mesmo lugar, rápido as pessoas esqueceram, não se cobrou mais nenhuma providência e parece que a vida continua como se nada tivesse acontecido.

Será assim até que algum outro cidadão seja vitimado no mesmo local, e teremos novas manifestações, novas cobranças e velhos esquecimentos.

É preciso que os clubes de ciclistas, aqueles que pedalam no dia a dia em busca de melhoria na qualidade de vida, e também os cidadãos que pagam seus impostos e necessitam de suas bikes para se dirigir ao trabalho, cobrem uma melhor condição de trânsito para eles e os outros.

As entidades desta cidade precisam se envolver e entender que não há mais espaço para veículos, e a solução é investir realmente na mobilidade urbana, com transporte público atuante e de melhor qualidade, pois hoje ninguém deixa o carro em casa para ir ao trabalho ou ao lazer de ônibus.

Mesmo que sejam países de primeiro mundo, temos que mirar nos exemplos da Alemanha, Dinamarca, Holanda, que há vários anos implantaram uma condição excelente para o trânsito de bicicletas.

Para citar apenas alguns exemplos, bairros como Novo Cruzeiro, Horto, Vila Ipanema, Iguaçu, Cariru, Bom Retiro e tantos outros não dão nenhuma condição segura de transitar com bikes pelas suas ruas. É preciso pensar urgentemente em projetos que visem dar maior conforto aos cidadãos, é preciso pensar que a segurança e a qualidade de vida são necessárias, para oferecer uma vida melhor à comunidade.

O ciclismo é um exercício de baixo impacto, divertido, confortável, versátil, gera benefícios para quem pratica. Pesquisas afirmam que é possível queimar cerca de 2.000 calorias por semana ao andar de bicicleta todos os dias. Recomenda-se 1 hora/dia, eliminando cerca de 300 calorias.

A prática de exercícios com bicicleta previne doenças cardiovasculares como derrame, pressão alta e ataque cardíaco, males que podem ser prevenidas através da prática do ciclismo, estimulando e melhorando a saúde dos pulmões e coração e a circulação sanguínea, fortalecendo os músculos do coração e ainda reduzindo o nível de gordura no sangue.

Estudos dinamarqueses comprovaram que pessoas com idade entre 20 e 93 anos poderiam se prevenir de doenças cardíacas apenas adicionando o ciclismo regularmente à rotina diária.

Andar de bicicleta pode reduzir os riscos de câncer de cólon, de mama e intestino, ajuda a manter estáveis os níveis de açúcar no sangue, reduz os riscos da diabetes, auxilia na recuperação de lesões ósseas e artrite, melhora a função muscular, mantém uma mente saudável num corpo saudável, melhora a coordenação motora, é um investimento de baixo custo.

O hábito de andar de bicicleta não só ajuda a ter uma vida mais saudável, mas auxilia na rotina, sendo um meio de transporte alternativo, além de contribuir com a preservação do meio ambiente, já que reduz a poluição do ar. Pedalando você poderá evitar possíveis engarrafamentos e chegará ao seu destino com maior nível de endorfina.

Por isto é preciso que se pense na mobilidade urbana na cidade como um fator de melhoria da saúde, onde as pessoas que praticam a modalidade adoecerão menos, terão melhor qualidade de vida, estarão sempre mais saudáveis e a cidade só terá benefícios.

Projetos poderiam ser apresentados pelo poder público, para que pudessem, de forma rápida e objetiva, criar em um novo modelo de vida para Ipatinga. É preciso ouvir e debater o tema de forma saudável com a população, buscar recursos, transformar a cidade num bom lugar para se viver.

Não há segredos para se descobrir estas necessidades da população, para implantar uma nova mentalidade de transporte no município.

É só deixar o carro na garagem e sair pela cidade, caminhando ou pedalando, para notar o que é preciso fazer, e entender que Ipatinga pode ser uma boa cidade para viver, e não apenas sobreviver, como está sendo nos dias de hoje, neste trânsito louco e sem nenhuma noção onde não se respeita o pedestre nem nas faixas de trânsito, não se respeitam os semáforos e ainda acreditam que o quebra-molas é a solução de segurança. PEDALA, IPATINGA.

LEMBRANÇAS
Do ginásio poliesportivo Dr. Rinaldo Campos Soares, no Clube da Aciaria, que foi um espaço para grandes emoções do esporte especializado, e hoje virou apenas um retrato na parede.

roberto50mg@hotmail.com.


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Comentários

Michelle Bitencourt

29 de Outubro, 2017 | 17:16
Faço minhas suas palavras. Pedalar na cidade está cada vez mais complicado. Não bastassem os assaltos pelos quais ficamos ameaçados o tempo todo, a cidade tem ciclovias de péssima condição, isto quando tem. Ao final, os ciclistas acabam disputando espaço com os carros pelas ruas, na tentativa de usufruir de uma pista de rolamento melhor, e com isto, novos acidentes acontecem. Queria poder dizer que, quando um de nós morrer, alguma atitude será tomada, mas me engano. Muitos de nós já morreram por estas vias buscando uma vida mais saudável e mesmo assim, nada foi feito.
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