26/10/2017 13:13:00

O Papel dos Veículos Elétricos na Economia Limpa

WWF-Brasil lança estudo com destaque para vantagens dos elétricos e híbridos e recomendações para políticas públicas



Divulgação


Em 2016, as vendas mundiais de elétricos atingiram 750 mil unidades


Os veículos elétricos são a principal tendência da área de transporte no mundo todo. França e Reino Unido anunciaram recentemente que a partir de 2040 não permitirão mais a venda de veículos a combustão, por entenderem que a queima de combustíveis fósseis, que gera os chamados gases de feito de estufa, vai contra a busca por uma economia mais limpa. Em 2016, as vendas mundiais de elétricos atingiram 750 mil unidades. A China foi o maior mercado, com 336 mil novos carros elétricos. Em seguida, vieram Europa e EUA, com 215 mil e 160 mil carros respectivamente.

No Brasil, a incorporação de veículos elétricos – que engloba tanto os carros pequenos, que utilizam bateria, quanto os conectados à rede elétrica, tais como trólebus e VLTs - ainda é ínfima. Alguns defensores do etanol alegam que a disseminação dos elétricos no país prejudicaria o mercado de combustíveis à base de cana, uma tecnologia em que o Brasil é o principal expoente no planeta. O que acontece, no entanto, é que os veículos elétricos, além de poluírem menos, serem mais silenciosos, econômicos e possuírem melhor desempenho do que os modelos convencionais, podem ser usados de forma complementar aos de combustão por etanol, por meio de motores híbridos.

Essa e outras análises estão no novo documento lançado pelo WWF-Brasil: O papel dos veículos elétricos na economia limpa. De acordo com o estudo, veículos elétricos – sejam eles 100% elétricos ou híbridos - são mais eficientes, econômicos e menos poluentes do que um tradicional, dotado de motor a combustão interna.

"Por terem menos partes móveis e não sofrerem o desgaste causado pelo sistema de combustão, os carros elétricos geram cerca de 28% menos custos de manutenção", comenta o analista de conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii. Segundo ele, os custos de reabastecimento também são muito inferiores, cerca de metade de um veículo abastecido com etanol ou gasolina. "Além disso, ele é mais silencioso e possui mais torque que um veículo convencional, especialmente nas arrancadas", acrescenta Fujii.

O estudo também destaca que a adoção de veículos elétricos junto com o uso de etanol em veículos flex pode contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Uma das análises citadas na publicação mostra que o aumento em 10% da frota de veículos elétricos no estado de São Paulo reduziria o total estadual de emissões em 1,3%, sem provocar impactos significativos na demanda por eletricidade (apenas 2% a mais). Pensando de forma nacional, caso a circulação de veículos elétricos no Brasil alcance ¼ do total da frota de veículos de passeio até 2030, a redução de emissões seria de 30 milhões de toneladas CO2.

"Isso equivale a 2,5% da meta de emissões com a qual o Brasil se comprometeu no Acordo de Paris", comenta o coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur.

Atualmente, há dois grandes obstáculos para a adoção de veículos elétricos no Brasil: o alto custo de aquisição e a ausência de infraestrutura de recarga. Para Nahur, essas questões só seriam resolvidas com estímulo à produção local e diminuição de impostos, como IPI e IPVA, entre outras ações (ver lista completa abaixo).

"Com as condições atuais, os carros elétricos ou híbridos são inacessíveis para a maioria da população. A diminuição de encargos para produção e venda e a incorporação de outros benefícios pode alavancar o mercado de elétricos, promover novos negócios, incentivar a produção nacional e ainda beneficiar o clima do planeta", conclui Nahur, lembrando que hoje, veículos elétricos e híbridos estão isentos do rodízio em São Paulo.



Desse modo, recomenda-se:

REDUÇÃO DO IPI de veículos elétricos e híbridos com motores flex, o qual deve ter alíquota máxima igual à de veículos flex de baixa cilindrada;

REDUÇÃO DO IPVA de veículos elétricos e híbridos com motores flex;

INCORPORAÇÃO DE ESTÍMULOS para a redução de emissões e aumento da eficiência energética no Rota 2030 ou outro programa que venha a ser criado para o setor automotivo;

ADOÇÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS com motores flex pelas frotas governamentais, especialmente em veículos utilizados nos centros urbanos, conjugadas a metas de diminuição das emissões da frota por km rodado;

REALIZAÇÃO DE CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO sobre a possibilidade de consumidores adotarem a tarifa branca a partir de 2018 para aproveitar o desconto oferecido fora do horário de ponta para recarga dos veículos elétricos com menor custo e menor impacto sobre a rede de distribuição;

INCORPORAÇÃO NOS PROJETOS DE NOVOS EDIFÍCIOS comerciais e residenciais de infraestrutura elétrica nas garagens, facilitando a implantação de carregadores com o surgimento da demanda;

DEFINIÇÃO DE PADRÕES para os sistemas de recarga, garantindo a sua compatibilidade entre os diversos modelos de veículos elétricos;

ISENÇÃO DO RODÍZIO veicular nas grandes cidades;

IMPLANTAÇÃO DE INSPEÇÃO VEICULAR obrigatória com isenção para veículos elétricos;

AUMENTO DOS INVESTIMENTOS EM PESQUISA e desenvolvimento para nacionalização dos veículos elétricos e híbridos no Brasil, incluindo o desenvolvimento de veículos híbridos flex.


Encontrou um erro? Comunique: falecomoeditor@diariodoaco.com.br


Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.
Envie o seu Comentário