21/10/2017 10:31:00

Nível baixo



Divulgação

Numa de suas colunas publicadas pela “Folha de São Paulo”, o médico e ex-craque Tostão disse que, “se mudasse novamente de profissão, selecionaria alguns jogos para ver, pois é duro ter de assistir a tanta violência e a tantas partidas ruins por obrigação profissional”.

Faço minhas as palavras do Tostão, com a ressalva de que nunca mudei, e que não tenho intenção de deixar de ser cronista esportivo, função que exerço com orgulho há mais de trinta, nesses quarenta anos de labuta completados este mês.

Mas confesso que não estou tendo mais paciência, diante de tantos jogos ruins e times ruins vistos neste Brasileirão, o que às vezes me faz ora desligar a TV ora mudar de canal, substituindo as “peladas” pelos desenhos animados do “Titio Avô”, que com seu único dente, simpatia e simplicidade, me faz sentir bem melhor.

Apesar de todo o esforço da Rede Globo e de seus canais pagos em promover a maior competição nacional, produto pelo qual pagam fortunas para ter o direito de transmissão, a qualidade dos jogos é a pior, a mais sofrível desde 2003, quando a fórmula de pontos corridos foi implantada.

Se todos os atores envolvidos - CBF, clubes, jogadores, árbitros, rede Globo e imprensa - tivessem a humildade de reconhecer este momento de pobreza técnica do nosso futebol atual, sentariam logo à mesa para discutir uma saída, pois desse jeito a tendência é piorar, desvalorizar cada vez mais.

Dois opostos
A máxima de que “clássico bom rende discussões uma semana antes e outra depois” não serve para este Cruzeiro x Atlético, que será disputado hoje à tarde no Mineirão pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Os dois grandes rivais aqui dos nossos grotões entraram em campo na última quarta-feira, e ambos foram derrotados, o Cruzeiro pelo Coritiba, fora de casa, r o Galo pela Chapecoense, diante da sua torcida, no Independência.

Mas os cruzeirenses, que não param de comemorar o penta conquistado na Copa do Brasil e agora a permanência do técnico Mano Menezes. que renovou contrato por mais dois anos, quer mesmo é uma vitória, para zoar ainda mais a torcida rival.

A previsão é que mais de 40 mil torcedores, maioria absoluta de cruzeirenses (90%), compareçam a este clássico de dois opostos, no Mineirão, onde a Raposa vive um grande momento, e o Galo passa por enorme turbulência com ameaça de rebaixamento.

FIM DE PAPO
Ao contrário do que muita gente pensa, sempre achei que todo clássico tem um favorito, e no caso hoje seria o Cruzeiro, pelo time mais arrumado. A colocação de ambos na tabela da competição confirma isso. Mas os clássicos do futebol, de um modo geral, envolvem uma variedade de fatores que acabam derrubando o favoritismo de uns e outros, assim que o juiz apita o início e a bola começa a rolar, gerando resultados inimagináveis.

A história quase centenária do confronto entre Galo x Raposa registra vitórias surpreendentes de ambos os lados, quando atravessam momentos piores que o adversário. “Clássico é clássico, e vice-versa”, disse certa vez, com sua simplicidade, o atacante Paulo Isidoro, revelado pelo Atlético e com passagens também pelo Cruzeiro e Seleção Brasileira.

Um destes jogos incríveis entre Galo x Raposa, que eu tive a honra de presenciar no Mineirão, ao lado do meu saudoso pai, foi em 1981. O Cruzeiro tinha na época um time muito ruim e criticado pela torcida, dirigido pelo técnico Vicente Lage, o “109”. No elenco algumas “barangas” do tipo Dedé de Dora, Bendelack, Jacinto, Calu, Hilton Brunis, o goleiro “mão-de-alface” Luiz Antônio, entre outros pernas-de-pau.

O Galo tinha no elenco uma lista enorme de grandes jogadores, como o goleiro João Leite, os zagueiros Osmar Guarnelli e Luizinho, e também alguns “botinudos”, como o lateral Jorge Valença. Mas também tinha craques da estirpe de Éder Aleixo, Cerezo, Reinaldo, Marcelo Oliveira e Paulo Isidoro, entre outros.

O Galo era o favorito absoluto e deveria ganhar de goleada, segundo a voz corrente na imprensa da época. Perdeu de 1 x 0 para o Cruzeiro, com um gol de Jacinto, para delírio dos cruzeirenses, que foram em pequeno número ao Mineirão, prevendo uma derrota acachapante.

Perguntas que não querem calar: se a fortuna do ex-presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, for isto mesmo, algo superior a R$ 1 bilhão em barras de ouro, acumulados através de atos ilícitos, qual será o valor da multa e do confisco a ser aplicado pela justiça? Ou será que quando sair da cadeia ele também vai poder usufruir do produto do furto, como fazem hoje alguns dirigentes do futebol? (Fecha o pano!)


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