06/10/2017 17:24:00

Bons relacionamentos nos mantêm saudáveis

Genésio Zeferino



Duas pesquisas realizadas recentemente sobre objetivo e qualidade de vida chamam atenção para atitudes, escolhas e reflexos de nossas trajetórias. Em um primeiro estudo, realizado com jovens entre 20 e 30 anos de idade, foi questionado “qual é o maior objetivo de vida, ou qual é sua maior expectativa para o futuro?”. Na ocasião, 80% responderam que, em primeiro lugar, a principal meta é ganhar dinheiro e ficar rico. 50% desse mesmo público responderam que, em segundo lugar, o que mais querem é: obter sucesso profissional, se tornar reconhecido e famoso na respectiva área de atuação. Como nem a riqueza, nem o sucesso se alcançam rapidamente, podemos interpretar que, grande parte desse grupo, está disposto a investir uma longa fase da vida com o trabalho e com os negócios. Estão decididos a sacrificar outras áreas por tais metas.

Nesse sentido, podemos cruzar o levantamento com outro, realizado na Universidade de Harvard, em Boston. Esse, sobre o desenvolvimento adulto, se propôs a responder qual o segredo da felicidade. Por 75 anos, o estudo acompanhou o estilo de vida de 724 pessoas de diversas profissões, status social, idades e religiões nos Estados Unidos. A pesquisa reservou-se acompanhar, anualmente, aspectos que envolviam saúde física e psíquica, bem-estar, felicidade, e outros elementos que se referem à qualidade de vida dos indivíduos. Após os 75 anos de análise, pesquisadores chegaram a uma única conclusão: “bons relacionamentos nos mantêm mais saudáveis”. Os resultados não apontaram correlação entre dinheiro, sucesso, status e fama com uma vida saudável. Ou seja, a análise mostrou que: pessoas com bons relacionamentos no casamento, na família, com os amigos e com a comunidade, têm uma vida mais feliz.

A partir disso, foram destrinchadas mais três observações sobre: a primeira é de que as conexões sociais são essenciais à nossa natureza. Concluíram que a solidão é tóxica e pode até matar. A segunda, é que a qualidade dos relacionamentos mais próximos está diretamente ligada com uma vida sadia. Pessoas com bons relacionamentos com o próximo, como casal, com os membros diretos de sua família, são mais felizes, adoecem menos e, quando doentes, recuperam-se muito mais rapidamente. Por conseguinte, vivem mais. E a terceira e última conclusão é que bons relacionamentos protegem, não apenas o físico, mas também a mente. Indivíduos com boas ligações preservavam a memória, têm a capacidade de raciocínio aguçada e apresentam menores índices de doenças psíquicas.

A partir daí, algumas perguntas surgem naturalmente e nos permite refletir: Em o quê estou investindo a minha vida? O quê tem sido o combustível da minha vida pessoal e profissional? Pergunte-se! Temos a consciência de que o dinheiro e o reconhecimento profissional e pessoal são importantes, mas eles não devem ser objetivo principal de nossas vidas. Eles precisam ser consequência e não a primeira causa de nossas escolhas e esforços.

O resultado das análises nos estimula a cultivar relacionamentos saudáveis. Há muitas formas de fazê-lo. Podemos considerar algumas, como: valorizar e dedicar tempo à família, aos amigos; se envolver e integrar com trabalhos voluntários em nossa comunidade. Além da oportunidade de doação e de cultivar a solidariedade, essas ações são também atributos para uma vida sadia. Desacelerar do corre-corre frenético e dar tempo a você, a seus gostos, seus hobbies. Dar aos outros a oportunidade de “desfrutarem” de quem você é.

Por fim, construa redes de relacionamento, faça conexões. Elas são importantes também para a vida profissional, pois temos a consciência de que as melhores oportunidades de emprego e a permanência neles, a empregabilidade, estão diretamente relacionadas à capacidade de estabelecer redes e conexões sociais. A vida é breve e vivê-la de forma não saudável é, no mínimo, insensatez.


* Reitor do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste) – www.unilestemg.br


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