04/09/2017 17:20:00

Esperança perdida



Divulgação

Bem diferente dos olhos da CBF, que manda e desmanda no futebol brasileiro, a ideia da Primeira Liga criou uma esperança, um alento para muita gente, que vê o futebol brasileiro com outros olhos.
Na época, tendo como executivo principal o ex-presidente do Atlético e atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, a Primeira Liga foi uma espécie de primeiro passo para se resolver questões importantes, além de pretender a união dos clubes e dar a eles mais independência ou liberdade em relação à CBF.

Sem o apoio dos próprios cartolas dos clubes da Primeira Liga, Kalil jogou cedo a toalha, e a recém-fundada entidade, que era um sonho próximo de virar realidade, se perdeu pelo caminho. Por coincidência ou ironia cruel, logo depois a CBF deu o golpe fatal nos clubes, ao lhes reduzir o poder de voto nas assembleias e aumentar o das federações, o que garantiu a perpetuação no poder de todos os cartolas atuais.

Bom, poderíamos dizer que o botão não tem nada a ver com as calças. Mas que houve uma coincidência muito grande, um acontecimento desses vir logo após o outro, ambos torpedeando os desunidos clubes nacionais, ah! Isso houve!

Troca de favores
Mas entra ano e sai ano, e o problema do calendário no futebol brasileiro continua, com ou sem Primeira Liga, pois a direção da CBF adota a troca de favores da política corrupta comum, como critério para tomar suas decisões. Não admite, por exemplo, mexer na fórmula retrógrada dos nossos estaduais, pois isso significaria contrariar interesses das federações, seu principal braço de apoio para se manter no poder.

Quem poderia mudar esse quadro – mas não faz - seria a Rede Globo, que irriga os cofres da CBF e dos clubes com cifras milionárias, e que mantém viva essa loucura de calendário ensandecido e incivilizado. E assim, fica na zona de conforto, faturando milhões em cima de tudo isso aí.
Nesse contexto, não há como condenar técnicos que poupam jogadores titulares, às vezes o time inteiro, nas datas da Primeira Liga, assim como fez Mano Menezes na partida contra o Londrina, que valia uma vaga na final da competição.

Aliás, agora, até mesmo eles, os técnicos, estão se poupando nos jogos da Primeira Liga, e mandam a campo, além dos jogadores reservas, os seus auxiliares, casos dos treinadores de Flamengo, Fluminense, Grêmio e do Cruzeiro. Fato comum a todos eles: perderam e foram eliminados.

FIM DE PAPO
Pelo menos nesses jogos da Primeira Liga, os técnicos também aproveitam para observar jogadores da base, reservas pouco ou não utilizados, e outros que precisam entrar em forma física e técnica. Muitos deles não correspondem às expectativas, como foi o caso do jovem Alex, 20 anos, meia talentoso e promessa do Cruzeiro, que está sendo massacrado pela imprensa azul e pela torcida nas redes sociais, por ter perdido dois gols e errado o quarto pênalti na desclassificação para o Londrina.

É preciso muita calma nessa hora, pois Alex entrou no 2° tempo do jogo, após 105 dias sem jogar uma partida oficial, e precisa de mais oportunidades para ser melhor avaliado.

O Ipatinga voltou fazer uma grande partida e venceu o Poços de Caldas (3 x 2) de virada, pela “terceirona” mineira, de novo levando um bom público sábado à tarde ao Ipatingão. Aliás, a média de torcedores pagantes do Tigre em casa, cerca de 4 mil, é bem superior à do América na Série B. O artilheiro Paulo Henrique desequilibrou mais uma vez, mas o grande nome do jogo foi mesmo o veterano Luisinho, que vinha sendo criticado pela torcida. O resultado garantiu a volta do Tigre à zona de classificação para a 2ª Divisão em 2018.

O clima no Flamengo está tenso para o primeiro jogo decisivo da Copa do Brasil, amanhã, contra o Cruzeiro, no Maracanã. Depois de perder vários titulares importantes por contusões, eis que surge esse imblóglio entre o goleiro Muralha e a direção do jornal “Extra”, conhecido no Rio de Janeiro por sua linha de humor e sensacionalismo.

Após a eliminação do rubro-negro na Primeira Liga, o jornal publicou um editorial onde, além de criticar as atuações do goleiro, disse que não irá mais chamá-lo de “Muralha” em suas matérias. Claro que o goleiro se sentiu ofendido e recebeu apoio da direção do clube. Da minha parte, achei despropositada não a crítica em si, mas o modo como ela foi feita, através de um editorial, que expressa o pensamento do veículo de comunicação e não pode ser banalizado numa mixaria qualquer.

Caso fosse conselheiro do Atlético, eu votaria a favor da construção do estádio. Sem dúvida o negócio é ótimo, pois ao contrário dos demais clubes que construíram recentemente modernas arenas - casos do Grêmio, Palmeiras e Corinthians -, o Galo será dono de todas as receitas geradas pelo estádio.

Só não concordo é com o principal argumento apresentado pela atual diretoria para justificar a venda de 51% de seu shopping center, para custear a obra. Ao dizer que a sobrevivência futura dos shoppings está ameaçada pelo crescimento das compras virtuais pela internet, a diretoria do Atlético subestima a inteligência de seus conselheiros. Mais ainda, deve pensar que todos nós somos beócios ou energúmenos de proveta. (Fecha o pano!)


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