13/08/2017 09:30:00

Ex-moradora de rua pede apoio às pessoas sem lar em Ipatinga

Atualmente existem na cidade 12 famílias que viveram em situação de rua e estão sendo acompanhadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social em uma fase de adaptação em núcleos residente



Wôlmer Ezequiel


Em novembro de 2016, nem nos arredores da Prefeitura de Ipatinga escaparam dos moradores em situação de rua
Uma mulher que já morou nas ruas de Ipatinga faz um apelo ao governo municipal, para que implemente políticas que atendam a essa camada da população. Sem recursos, C.N.M, de 50 anos, viu-se obrigada a ir morar no Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro, no bairro Veneza, em novembro do ano passado. No mês de abril, entretanto, a mulher foi “despejada” do espaço que ocupava, assim como outros moradores em situação de rua, no 7 de Outubro.

Hoje C.N. não mora mais na rua. Arrumou meios para sobreviver e pagar aluguel para não ter que enfrentar a dureza da sobrevivência nas ruas. Mas nem todos têm a capacidade de empreender, por conta própria, e precisa de uma mão da administração municipal para sair das ruas.

Em novembro do ano passado, cerca de 30 pessoas em situação de rua ocuparam as dependências do Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro. Entretanto, em meados de abril, os moradores foram retirados do local pela administração municipal, que precisava do espaço para atividades esportivas.

A mulher conta que ir para um cômodo no 7 de Outubro, não foi uma escolha, foi uma necessidade. “Ano passado, eu e meu marido fomos despejados da casa em que morávamos por causa de problemas relacionados ao aluguel. Então, nessa época, meu marido deu a ideia de irmos para o 7 de outubro. O pessoal que tomava conta de lá, deixou a gente morar dentro da secretaria. E todo dia a gente fazia chocolate e vendia depois”, conta.
Enviada por leitor


Pessoas ocuparam o Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro no ano passado por não terem lugar de morar

Quando foi em abril, C.N.M e seu marido saíram das dependências do 7 de Outubro e foram morar em uma casa de aluguel, conforme a ex-moradora de rua. “Hoje não passamos mais por essa situação de não ter onde dormir. Já compramos móveis usados e pagamos aluguel todo mês. Mas mesmo assim gostaríamos que acontecesse uma reviravolta na cidade, que está cheia de moradores de rua e pessoas que buscam a sobrevivência com o comércio informal. Existe uma série de coisas que a prefeitura pode fazer em relação às pessoas sem um lar”, afirma.

A ex-moradora de rua revela que, quando sai de casa para trabalhar, ainda encontra muitas pessoas pela cidade que estão na mesma situação em que estavam quando ela também morou em um espaço público. “A gente sai para vender chocolate e conhece indivíduos que não têm onde morar, ainda. Se essas pessoas estão na rua é porque algum dia aconteceu alguma coisa com elas. Ninguém vai parar nesses lugares, por acaso”, destaca.

População em situação de rua participa de “Roda de Conversa” no Centro Pop

Procurada pelo Diário do Aço, a Prefeitura de Ipatinga informou quem, em um trabalho conjunto, a PM elabora um diagnóstico para identificar e traçar o perfil de pessoas que vivem ao desabrigo em Ipatinga. Os moradores em situação de rua estão concentrados em grande parte na Praça Caratinga, Centro, em especial nas proximidades do terminal rodoviário e Parque Ipanema.

Atualmente, que não tem onde morar em Ipatinga é atendido no Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop), na rua Pouso Alegre, esquina com avenida Cláudio Moura.
Secom/PMI


Encontro serviu para esclarecer os serviços prestados pelo Centro Pop

Conforme a administração municipal, em uma recente reunião com participação de 30 pessoas, das quais 25 eram as que mais usam o serviço, foram discutidas as necessidades e prioridades.

A diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social de Ipatinga, Cláudia Castro, observa que o aumento da população de rua agravou-se com a crise econômica do país, constituindo-se atualmente em um fenômeno desafiador. “Os direitos desse público são previstos no Decreto 7.053, de 23 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua”, afirma.

A diretora revela que a realidade atual das pessoas em situação de rua em Ipatinga vem sendo levantada em um diagnóstico que deve ser concluído em breve, pela Polícia Militar, com apoio da Secretaria de Assistência Social. Cláudia adianta dados preliminares do diagnóstico: 80% do público são do sexo masculino e a maioria está em idade laboral, entre 20 e 40 anos. Ainda, têm baixa escolaridade e a grande parte faz uso de álcool e outras substâncias entorpecentes.

“A política de assistência não permite a retirada compulsória do morador de rua da situação em que ele se encontra. O trabalho é realizado com a perspectiva de emancipar a pessoa, respeitando a sua individualidade. A decisão de sair da rua é tomada de forma voluntária, e aqui nós os incentivamos a isso”, ressalta Cláudia.

Atualmente existem na cidade 12 famílias que viveram em situação de rua e estão sendo acompanhadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social em uma fase de adaptação em núcleos residentes.

“A realização desta primeira reunião é um avanço, já que este é um público que não tem rotina estabelecida. Eles estão sendo incentivados a resgatar os vínculos sociais e familiares. E para isso recebem todo o nosso apoio, com um tratamento humanizado e respeitoso”, conclui o secretário de Assistência Social, José Osmir de Castro.

Serviços
Conforme o governo, entre os serviços oferecidos pelo Centro Pop, em Ipatinga, estão o incentivo à reinserção familiar ou comunitária, encaminhamento para a área da saúde, espaço para banho e lavanderia, atendimento interdisciplinar com psicólogos e assistentes sociais e a guarda de pertences, além do auxílio para a retirada da 2ª via de documentação. Aos migrantes são fornecidas as passagens rodoviárias para a cidade de destino.




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Comentários

Douglas

13 de Agosto, 2017 | 12:05
Em 2015 tive contato com um morador de rua que tentou essas passagens que a prefeitura fornece, esse rapaz era de Jordânia - MG e a prefeitura queria dar uma passagem para Salvador -BA, essa distância nada mais, nada menos era de 685 km de uma cidade para outra. Como ajudar dessa forma? Seria "desovando" em outras grandes cidades? No final dessa história esse rapaz conseguiu retornar para a sua cidade natal através da ajuda de pessoas e hoje está com a sua família novamente.
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