25/07/2017 08:09:00

Aposentadoria complementar, um projeto para os jovens!

Sérgio Orlando Pires de Carvalho



Divulgação

Com as dificuldades financeiras dos sistemas previdenciários oficiais de governos, mundo afora, cabe aos cidadãos, aos jovens, principalmente, o compromisso de planejar uma aposentadoria complementar para sua proteção futura. No caso brasileiro, as pessoas não precisam pensar em abandonar o INSS porque, além de conduzir à aposentadoria, ele traz algumas vantagens como o seguro desemprego e a licença maternidade para as mulheres, o que pode ser importante no meio da jornada de vida.

É um fenômeno mundial, as aposentadorias públicas não têm bastado para oferecer uma vida normal no futuro em nenhum lugar do planeta. E torna-se importante que os jovens se programem e comecem a acumular dinheiro para o futuro, buscando aplicações privadas via aposentadorias complementares.

Pesquisa recente do SPC BRASIL mostra que quatro entre cada 10 jovens brasileiros não se preparam para a aposentadoria. E não é por falta de informação. Dois motivos se destacam: Um é que a aposentadoria estaria muito longe, e seria muito cedo para o jovem pensar nisso. O segundo motivo seria porque não sobra dinheiro no final do mês para poupar.

Vale lembrar, então, que a questão de faltar muito tempo para aposentar-se deveria jogar a favor desse jovem, justamente porque ele tem muito tempo para poupar e assim poderia guardar um pouquinho todo mês, o que faria, a longo prazo, com que ele tivesse um resultado superinteressante. Já a questão de não sobrar dinheiro vem de outro ponto: se a pessoa esperar para sobrar, não vai sobrar mesmo! Desse modo, o importante é guardar o dinheiro assim que ele cai na conta corrente.

A pesquisa trouxe outro dado interessante: a maioria das pessoas guarda dinheiro na poupança, em casa e na previdência privada. Na realidade, isso mostra que falta cultura de poupança ao brasileiro. E diz mais: entre os que poupam não existe sofisticação nas aplicações, e eles perdem dinheiro no longo prazo de acumulação.
Podemos perceber então que a poupança é interessante, que é muito fácil, de simples aplicação, acessível a todos e todos a conhecem. Mas existem outros investimentos que geram resultados financeiros mais vantajosos.

A previdência privada pode ser um deles, porém, cabe observar as taxas de administração cobradas. Já o Tesouro Direto tem sido recomendado pelos especialistas justamente por render acima da poupança. No caso do Tesouro Direto há uma modalidade chamada “IPCA MAIS”, que rende a variação da inflação mais 5% de juro real ao ano, o que traz um ganho real de fato. Veja que não é um ganho pequeno, principalmente se pensarmos num jovem que tenha mais de 30 anos para poupar ao longo da vida.

Alguém poderia questionar que existiria uma idade para começar a guardar dinheiro? Especialistas respondem que não, porém, o ideal é as pessoas começarem a guardar dinheiro assim que entrarem no mercado de trabalho, pois, simultaneamente, desenvolveriam o hábito de poupar, já que o hábito de gastar é naturalmente automático.

Ao guardar dinheiro a pessoa deve pensar em três objetivos: aposentadoria, propriamente dita; atender aos seus sonhos; reservar uma parte para os imprevistos que podem acontecer no caminho. Assim, com os três objetivos afinados e um pouco de disciplina, tudo pode ser resolvido.

Como um projeto de aposentadoria acontece no longo prazo, as pessoas poderiam pensar na diversificação de suas aplicações, colocando parte em previdências privadas, o que é relativamente fácil; parte no Tesouro Direto, bastando apenas conversar com o gerente de seu banco; e parte no mercado de ações, o chamado mercado de renda variável, correspondente às bolsas de valores.

O mercado de ações é uma boa opção, mas deve-se contar com ajuda de profissionais, pois exige um pouco mais de conhecimento nas aplicações para que não se perca dinheiro no período de acumulação.

Assim, o pretendente a uma boa aposentadoria no futuro deve tratar a reserva financeira como uma conta fixa. Ou seja, como ninguém deixa de pagar o aluguel, telefone e internet, não poderá deixar de reservar uma parte do dinheiro para a sua reserva financeira. Desse modo, se a pessoa colocar sua reserva financeira no rol das contas fixas, da qual ela não abre mão, ficará mais difícil cair na tentação de gastar.

* Economista, MBA Executivo em Gestão Empresarial, PG em Administração de Empresas e Organizações, PG em Metodologia do Ensino Superior, Consultor Econômico-Financeiro e autor dos Livros “Economia & Administração” e “Guilhermina de Jesus e a Família Brasileira”. E-Mail: sergiopiresc@terra.com.br. Blog: http://zaibatsum.blogspot.com.


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