24/07/2017 18:29:00

Sem inspiração



Divulgação

A 16ª rodada do Brasileirão Série A foi péssima para o futebol mineiro, começando com o Cruzeiro, que foi a Florianópolis como grande favorito e voltou derrotado (1 x 0) pelo modesto Avaí, time fraco e ocupante da zona de rebaixamento desde que a competição começou. O time teve até um bom começo, passando a impressão de que iria vencer com facilidade, porém, numa falha coletiva da zaga, ainda no primeiro tempo, tomou o gol do Avaí.

A partir daí, com uma forte marcação, o Avaí procurou segurar o resultado de todas as maneiras, contando com a ajuda dos homens de criação do Cruzeiro, sobretudo Tiago Neves, que esteve numa tarde ruim, sem inspiração, o que facilitou a tarefa do adversário.

Para piorar, o assoprador de apito deixou de marcar um pênalti claro a favor do Cruzeiro, na metade do segundo tempo, que, se convertido, poderia ter significado uma virada no placar, pois o empate seria péssimo para o Avaí, que decerto iria se abrir e facilitar as coisas para os mineiros.

Agora, “cesse tudo que a Musa antiga canta/ Que outro valor mais alto se alevanta”. Ou seja, o foco muda nesta quarta-feira, quando os celestes terão pela frente o Palmeiras, no Mineirão, jogo de volta decisivo pela Copa do Brasil. Por ter empatado o primeiro confronto disputado na capital paulista em 3 x 3, o Cruzeiro leva a vantagem de poder empatar até em 2 x 2 que se classifica.

Mas não adianta se iludir, pois será outro jogo, outra competição, outro adversário, desta vez de igual tamanho. Portanto, em casa, com o apoio da torcida, o Cruzeiro tem de jogar para vencer e tem time para isso.

Mudou o mantra
Depois de quatro derrotas, dois empates e apenas duas vitórias nos jogos disputados em casa neste Brasileiro, o mantra que fez a torcida do Galo ficar conhecida no mundo inteiro mudou. Agora, segundo seus adversários, ficou assim: - No Horto o Galo tá morto!

Mais uma derrota no domingo, desta vez para o Vasco da Gama, que tinha na equipe vários jogadores da base, com idade para jogar ainda no juvenil, caso do atacante Paulinho, de 17 anos, autor dos dois gols que deram a vitória merecida de 2 x 1 ao time carioca.

A torcida, claro, ficou revoltada mais uma vez com os jogadores, gritando com todos os pulmões o refrão de “time sem vergonha”. Nesse ponto eu discordo, pois não vejo boicote ou qualquer coisa do tipo corpo mole sendo feito pelos jogadores, que têm lutado, correm muito. O que falta mesmo é qualidade, um esquema tático que funcione. O time montado pelo ex-técnico Roger Machado só tem uma jogada, o antigo chuveirinho na área. Ou se vale de jogadas individuais de um ou outro veterano e falhas dos adversários.

Se os veteranos vão mal, e se os adversários erram pouco, como foi diante do Vasco, a coisa complica, piorando ainda mais com a pressão da torcida por uma vitória dentro casa.
Agora é Copa do Brasil. Amanhã já tem decisão no Rio de Janeiro contra o Botafogo, onde o Galo joga pelo empate. Em seguida vem a Libertadores, e aí a equipe vai precisar vencer o boliviano Jorge Wilstermann, dentro do Horto, por dois gols de diferença.

Vamos ver se a aposta feita em Rogério Micale, o novo treinador, dará resultado, pois se o título do Brasileiro já virou pó, ao menos num desses dois torneios o clube precisa seguir. Caso contrário a temporada estará irremediavelmente perdida. Vamos aguardar!

•Com dois jovens e promissores goleiros revelados na base, Uílson e Cleiton, não tem sentido o Atlético manter no elenco o veterano e fraco Giovani, que joga pouco e se machuca muito. O elenco atual tem veteranos demais e precisa de uma reformulação. O presidente Daniel Nepomuceno só entende de finanças e deveria se dedicar exclusivamente a isso, deixando o futebol aos cuidados de alguém que entenda do assunto.

Dois ônibus que traziam pseudo torcedores vascaínos do Rio de Janeiro para o jogo de domingo, com o Galo, em BH, foram apreendidos e seus torcedores detidos, pois alguns deles foram flagrados fazendo “surf” rodoviário, ou seja, flanando no teto do veículo em movimento.

Ao menos um grupo mais civilizado conseguiu chegar ao estádio, onde foi muito bem recebido por torcedores de uma organizada do Galo, com direito a roda de samba e churrasco. As organizadas dos dois clubes se consideram “irmãs” e trocam gentilezas quando se encontram. Mas eu só vou aplaudir no dia em que for assim entre os torcedores de todos os clubes.

“Uma mentira dita cem ou mil vezes acaba se tornando verdade”. Esta frase, atribuída a um ex-ministro da Alemanha nazista, pode servir para definir o que foi dito pelo comentarista e repórteres de uma emissora da capital, sobre a atuação do Cruzeiro na derrota de 1 x 0 para o Avaí. O time celeste jogando mal, seus jogadores do meio para a frente sem nenhuma inspiração ou vontade de vencer, mas os caras só tinham elogios.

Depois puseram a culpa da derrota no árbitro, que de fato deixou de marcar um pênalti claro a favor dos celestes. Pelo potencial do elenco, investimento etc e coisa e tal, o Cruzeiro, com ou sem pênalti, tinha a obrigação de jogar muito mais e vencer o Avaí com o pé nas costas.

O São Paulo fechou na noite de ontem a 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Morumbi, contra o vice-líder Grêmio. O tricolor paulista está de luto pela morte do ex-goleiro Valdir Peres, titular da inesquecível seleção de 1982 na Copa da Espanha, vítima de infarto aos 66 anos. Ele também foi campeão brasileiro em cima do Galo, no Mineirão, em 1977, numa célebre cobrança de pênaltis em que os atleticanos erraram três vezes.

Que Deus o tenha, mas não é porque morreu que vou dizer que foi um grande goleiro. Nada disso. Falhava muito e acho que o técnico Telê Santana, que era muito pirracento e cabeça dura, deveria ter levado de titular Emerson Leão, na época disparado o melhor goleiro do Brasil. “A morte parece conferir um especialíssimo manto aos seus eleitos. Não há morto sem importância. Dir-se-ia que, ao morrer, qualquer cidadão assume um ar de Rei Lear”. Nelson Rodrigues. (Fecha o pano!)


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