22/07/2017 12:06:00

Meio termo



Divulgação

A demissão do técnico Roger Machado Marques, um dos “emergentes” mais badalados no atual panorama do futebol brasileiro, pelo Atlético, após a derrota de 2 x 0 para o Bahia, a quarta no Independência na principal competição nacional, acirrou ainda mais a discussão sobre a validade da cultura praticada pelos clubes de demitir técnicos, em curto tempo de trabalho, não raro de forma irrefletida.

Até a última rodada no meio da semana, nada menos do que 13 técnicos foram demitidos somente na série A do Campeonato Brasileiro, o que significa quase um por rodada, o que também não os exime de culpa pelos maus resultados e fracassos das equipes que comandavam.

Nos casos de demissões de treinadores, há duas pelo menos que eu considero absolutamente estapafúrdias, casos mais recentes de Roger Machado, no Atlético, e de Vagner Mancini, na Chapecoense, onde ambos perderam o emprego com mais de 60% de aproveitamento.

Tenho dito aqui nessa coluna - e por onde mais falo sobre futebol - que a função do treinador, sua importância no contexto da preparação e dos resultados, vem sendo superestimada ou supervalorizada ao longo das últimas décadas, o que resulta nos altos salários pagos aos principais técnicos, muito acima das possibilidades e da realidade dos clubes.

Há, ainda, alguns colegas respeitáveis da imprensa para quem os nossos “professores” são “protagonistas” ou verdadeiros “deuses” do futebol, seres superiores que, sem dar um único chute a gol, decidem as partidas.
Prefiro ficar no meio termo, ou seja, sou dos que não vêm tanta relevância no trabalho dos treinadores para o resultado dos jogos, mas também não aprovo suas demissões após três ou quatro maus resultados.

Cruz e espada
A pergunta que o torcedor atleticano faz a todo momento é o que tem de fato impedido este time de engrenar, com tantos jogadores caros e famosos, sendo comandado até então por um dos treinadores “emergentes” mais badalados do atual futebol brasileiro?

As razões são muitas, várias, e algumas só quem está lá dentro é quem sabe, mas a meu juízo, ao errar na montagem do atual elenco, a diretoria é a principal responsável pelo fracasso.

Os jogadores têm se esforçado, correm muito em campo, se dedicam ao máximo, e são os menos culpados, pois não pediram nem imploraram para jogar no Atlético, foram todos eles, isto sim, avaliados e contratados pela atual diretoria.
Imagino que o presidente do Galo tenha ficado entre a cruz e a espada, até chegar à decisão de contratar o substituto de Roger, optando por Rogério Micale, que tem no currículo a conquista da medalha de ouro nas Olimpíadas com a Seleção Brasileira, além de conhecer bem o clube por já ter trabalhado por vários anos nas categorias de base do alvinegro.

Aos 48 anos, baiano de Salvador, Rogério Micale vai dirigir um time profissional e de grande porte pela primeira vez. Trata-se de uma aposta do presidente Nepomuceno, que chegou a consultar, mas recebeu um “não” de Abel Braga, técnico do Fluminense, que seria o treinador medalhão e mais experiente para melhor lidar com as “madonas” do elenco.

Acostumado a trabalhar com jogadores jovens, a chegada de Rogério Micale certamente vai abrir mais espaço para o aproveitamento das “joias” de sua base, abrindo mão de alguns veteranos que perderão espaço e poderão até deixar o clube. O que não faltam são jogadores veteranos no atual elenco atleticano, cuja média de idade atingiu incríveis 32 anos, algo inimaginável em qualquer grande clube do planeta.

São nove jogadores com mais de 30 anos. No caso de Victor, de 34 anos, a idade ainda não pesa tanto por ser ele goleiro, mas há outros casos que precisam ser analisados cuidadosamente: Leonardo Silva, 38; Rafael Moura, 34; Fred, 33; Robinho, 33; Fábio Santos, 32; Elias, 32; Felipe Santana, 31; Roger Bernardo, 31. E ainda tem Luan, com quem não se pode contar por causa de seus crônicos problemas físicos.

No caso de Felipe Santana, fica clara a incompetência da diretoria para contratar e montar o elenco. O zagueiro estava há mais de um ano sem jogar, e quando esteve em campo foi um desastre tecnicamente. Dinheiro jogado fora, com tantos bons garotos da base surgindo, casos de Bremer, Jesiel e Mateus Mancini, além de Gabriel que já é titular há algum tempo.

Tornaram-se assunto recorrente aqui na coluna - e por onde falo de futebol - os problemas da nossa arbitragem, que é muito ruim, mas deve-se destacar também a falta de colaboração dos técnicos e jogadores. Não acontece a marcação de uma falta, seja ela leve, grosseira ou violenta que seja, sem que o treinador na beira do campo ou o jogador que a cometeu reclame, logo em seguida, da marcação do árbitro, com gestos ou palavras acintosas, como se nada de errado e contrário às regras tivesse acontecido.

Mesmo após cometer a falta mais desleal e violenta, como um carrinho por trás no rival, como vemos tantos, o jogador usa de enorme desfaçatez e sai reclamando da marcação. Cinismo e malandragem pura. Assim não há árbitro que preste ou consiga apitar direito. (Fecha o pano!)


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