15/07/2017 10:41:00

Sem alma



Divulgação

Depois de quatro jogos vencendo e apresentando um futebol convincente, incluindo o clássico contra o maior rival, Cruzeiro, o Atlético voltou a mostrar instabilidade e perdeu mais uma vez em casa, agora para o desfalcado time do Santos, o que deixou a sua torcida revoltada.

Futebol não é uma ciência exata e de fato não é, pois se assim fosse, bastaria ter dinheiro e contratar os ditos melhores jogadores do mercado, para ganhar tudo o que viesse pela frente.

No entanto, com um elenco caro como este que possui o Galo e a rodagem considerável de algumas de suas “madonas”, não pode jogar assim tão mal, desordenado, sem raça, sem alma, como se fosse um bando de peladeiros de fim de semana.

O time atual conseguiu a proeza de derrubar a mística do “caiu no Horto tá morto”, criada em 2013 pela equipe de Ronaldinho Gaúcho e que conquistou a Libertadores, o maior título na história do clube.

Agora, todo adversário que vai ao Horto sabe de cor e salteado a receita para derrotar o Galo, ou seja, fica fechado atrás e sai em contra-ataques rápidos pelos lados, sobretudo o direito, onde a avenida chamada Marcos Rocha está sempre aberta, tornando a tarefa dos adversários extremamente fácil.

O grande Nelson Rodrigues escreveu que “todo óbvio é ululante”, mas nessa tuitada do repórter Carlos Ceretto (Sportv) está o resumo de tudo o que anda acontecendo com este time sob o comando de Roger Machado: “Atlético não consegue sufocar nenhum adversário. Time não vibra e não encanta; é lento, previsível, displicente e não cria sinergia com a torcida”.

Melhor esperar
Tudo bem que o Atlético-PR vive um de seus piores momentos nesta temporada, mas não há como deixar de registrar a ótima atuação do Cruzeiro, a segunda consecutiva, na vitória de 2 x 0 em plena Arena da Baixada, em Curitiba, que o fez chegar ao 6º lugar, com 20 pontos ganhos, dentro do G-6 que dá acesso à Libertadores.

O nosso calendário maluco, com jogos praticamente a cada três dias, obriga o treinador a mudar o time jogo a jogo, por conta de contusões, suspensões, por prevenção, mas depois de algumas derrapadas, parece que o técnico Mano Menezes acertou a mão. Nada de euforia, pois o melhor é esperar um pouco mais, até porque, exceto o Corinthians, líder disparado e virtual campeão, o Cruzeiro tem sido muito instável como todos os demais concorrentes.

Hoje, contra o Flamengo no Mineirão, apoiado pela torcida que volta a acreditar na equipe, será outra prova de fogo contra um de seus concorrentes diretos na parte de cima da tabela. “Se o cavalo vencer uma vez, sorte. Se o cavalo vencer pela segunda vez, coincidência. Se ele vencer pela terceira vez, aposte nele”. Provérbio chinês.

Thiago Neves se tornou o grande protagonista neste time do Cruzeiro, apesar de uma parte da torcida, até a alguns dias atrás, torcer o nariz para o seu futebol. Mas não é nenhuma novidade, a boa fase do atacante, que foi a maior contratação do clube nesta temporada, pois este paranaense de Curitiba, com 32 anos, ainda é reverenciado pelas torcidas do Fluminense e Flamengo, onde passou e deixou saudades.

Outra atração do clássico Cruzeiro x Flamengo será o reencontro da torcida celeste com o ídolo Éverton Ribeiro, agora em lado oposto, mas ainda lembrado por tudo o que ele fez nas campanhas do bicampeonato nacional de 2013-2014.

Além de voltar muito mal tecnicamente, depois de quase dois meses no chinelinho, se tratando de mais uma contusão muscular, o lateral Marcos Rocha foi boquirroto e inoportuno, ao criticar publicamente Cazares e Robinho pelos gols perdidos contra o Botafogo. Resultado disso foi um visível mal-estar e um racha criado no grupo. Omisso nas questões disciplinares, o presidente Daniel Nepomuceno emudeceu e nem sSem almaequer mandou algum outro dirigente vir a público para apaziguar este fogo amigo, que só trouxe prejuízos ao clube.

Desde o início da década de 80 no século passado, quando os casos de violência e selvageria praticados por integrantes das tais torcidas organizadas se tornaram rotina no futebol brasileiro, as autoridades falam em endurecer as leis e tomar medidas para coibi-las, mas o que fizeram até hoje foi muito pouco, ou quase nada. Agora, depois dos últimos acontecimentos registrados no Rio de Janeiro, estão anunciando medidas que vão desde cadastro de torcida à implantação de biometria nas catracas dos estádios.

Neste último caso, entendo ser a mais viável solução para controlar o acesso de torcedores banidos, o que já acontece na Arena da Baixada, do Atlético/PR, com sucesso. Embora o pedido de ação liminar do Ministério Público do Rio de Janeiro, obrigando a implantação da biometria naquele estado, tenha sido negado sob o argumento de que o sistema é caro, estão prometendo que ele irá funcionar no próximo mês nos estádios São Januário, Nilton Santos e Maracanã.

Esta novidade é pão dormido na Europa, e já deveria ser obrigatória há muito tempo em todos os principais estádios brasileiros. A CBF, que deveria ser a principal interessada em resolver o problema, finge-se de égua ou faz como cavalo em desfile da Independência, focada apenas no faturamento de milhões de dólares com os jogos da sua seleção. (Fecha o pano!)


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