15/07/2017 08:48:00

O beco sem saída das empresas no Brasil

Gustavo Milaré



Divulgação

Todos os dias, os brasileiros têm sido surpreendidos com novos e estarrecedores capítulos da verdadeira novela em que se transformou a crise político-econômica, de tal modo que está extremamente difícil fazer qualquer prognóstico sobre seu desfecho. Infelizmente, esse cenário de incertezas somente contribui para piorar a recessão que tem assolado o país, em especial, desde 2014. E os dias melhores parecem distantes.

Dados recentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), realizado nas capitais e interior dos 27 estados do Brasil, demonstram que o número de empresas inadimplentes e negativadas cresceu 3,35% em maio deste ano na comparação com o mesmo mês de 2016.

Apenas o número de empresas com contas em atraso aumentou 1,04% na comparação anual, sendo que a região Nordeste foi a que registrou o maior aumento (4,53%), seguida das regiões Norte (3,67%), Sudeste (3,40%), Centro-oeste (3,01%) e Sul (0,90%). Entre os segmentos, as maiores altas na inadimplência foram verificadas nos serviços (que engloba bancos e financeiras, 6,31%) e agricultura (5,23%), seguidos pela indústria (2,72%) e comércio (1,90%).

O número de empresas com contas em atraso e, consequentemente, registradas nos cadastros de devedores, deve continuar a crescer, pois os empresários estão cada vez mais cautelosos. A tendência é que a restrição ao crédito seja maior, enquanto que a propensão a investimentos seja menor, fazendo com que a atividade empresarial continue fraca nos próximos meses e, assim, a crise político-econômica nacional tenha ainda capítulos novos e tristes.

E o pior é que essa completa falta de certeza sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil praticamente inviabiliza, ao menos por ora, a definição de caminhos para as empresas saírem das dívidas.
Infelizmente, tudo leva a crer que as empresas no Brasil estão dia após dia entrando cada vez mais num beco sem saída.

* Advogado, mestre e doutor em Direito Processual Civil, sócio do escritório Meirelles Milaré Advogados.


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