10/07/2017 17:14:00

Castigo merecido



Divulgação

“A bola pune”! A expressão, conhecida como “Lei de Muricy Ramalho”, foi dita por ele quando era técnico de futebol e aplicou-se como uma luva neste desastroso empate sofrido pelo Atlético (1 x 1), nos acréscimos do jogo com o Botafogo, anteontem, no Estádio Nilton Santos.

O Galo, que controlava a partida e vencia até com certa facilidade por 1 a 0, podia ter feito mais um ou dois gols, dando-se ao luxo de desperdiçar um pênalti muito mal batido pelo He-Man. Até que veio o castigo, nos acréscimos, ao sofrer o gol de empate também numa penalidade que Victor chegou a defender, mas no rebote, o mesmo batedor, Roger, marcou.

Lamentável, porém, foi o que ocorreu fora do Estádio Nilton Santos, onde bandidos de uma torcida organizada do Botafogo teriam feito uma emboscada atacando supostos torcedores de uma dita torcida organizada atleticana, resultando em 13 vândalos cariocas detidos e um baleado.

Infelizmente, o estado do Rio de Janeiro é vítima de políticos corruptos e faliu literalmente, não conseguindo sequer executar ações mínimas de segurança, indispensáveis para proteger seus cidadãos e quem o visita, vindos de todas as partes do país e do mundo.

E olhem que este confronto foi considerado “café pequeno”, perto do que ocorreu no sábado entre as torcidas de Vasco e Flamengo, em São Januário, onde uma pessoa morreu e dezenas saíram feridos.
Nas entrelinhas

Quando o técnico do Cruzeiro, Mano Menezes, após levar três gols do Grêmio e Palmeiras (Copa do Brasil) e do maior rival Atlético no clássico pelo Brasileiro, disse que o time celeste não iria mais tomar tantos gols e retomaria o caminho das vitórias, poucos entenderam o recado contido nas entrelinhas da sua declaração.

A promessa foi cumprida, ao menos neste jogo do último domingo, quando, jogando fechado atrás e saindo nos contra-ataques, o Cruzeiro venceu o campeão brasileiro e todo poderoso Palmeiras (3 x 1), descolando da ameaça de entrar na zona de rebaixamento para alçar o 6º lugar na tabela de classificação.

Então os críticos, sobretudo ex-jogadores e corneteiros da imprensa azul que condenam a preferência do treinador celeste por um esquema tático considerado muito defensivo para os padrões do clube, que se preparem agora para “saber sofrer”, e que não esperem outra coisa senão um futebol pragmático, bem fechado atrás e tentando surpreender os adversários nos contra-ataques, mesmo quando jogar no Mineirão.

O histórico da carreira de Luiz Antônio Venker Menezes, 55 anos, gaúcho de Passo do Sobrado, mais conhecido como Mano Menezes e atual treinador do Cruzeiro, desde que começou no pequeno Guarani de Vacaria, em 1997, mostra sua preferência por esquemas conservadores e defensivos.

Não se compara com outro treinador sumido do mercado, Péricles Chamusca, que reagiu de modo inusitado diante de críticas semelhantes, quando dirigia o Botafogo, em 2009: - Quem quiser assistir espetáculo que vá ao show da Ivete Sangalo, disse Chamusca. Pelo que disse nas entrelinhas, Mano Menezes “bateu na cangalha para o burro entender”.

Em caso de derrota para o Palmeiras, Mano Menezes fatalmente seria demitido e substituído, muito provavelmente por Marcelo Oliveira, que ainda tem muito prestígio na imprensa da capital e com o atual presidente, Gilvan de Pinho Tavares, além de ser admirado por parte da torcida pelos títulos nacionais conquistados em 2013-2014. Seus últimos trabalhos no Palmeiras e Atlético foram muito ruins, o que não o impede de ainda ser considerado um bom treinador. Marcelo Oliveira é do bem e acho até que está demorando a retornar ao cenário principal do futebol brasileiro.

Só acho que faria muito bem a ele se deixasse de lado um pouco da “pão-duragem” que lhe é peculiar, atribuída por ele mesmo à convivência do tempo de jogador com o mestre Telê Santana.

Basta que tire os escorpiões do bolso e gaste um pouco da fortuna que já amealhou como treinador de futebol, fazendo alguns cursos de reciclagem no exterior, onde absorveria novas táticas e estratégias mais modernas a serem empregadas futuramente em seu trabalho, diferenciando-se dos nossos atuais “professores”, em sua maioria meros distribuidores de camisas nos vestiários.

Sobre a violência, barbárie, a verdadeira guerra urbana entre os pseudo torcedores no Rio de Janeiro, logo após o clássico Vasco x Flamengo, além do que ocorreu em menor escala no jogo entre Botafogo x Atlético, causa espanto o anúncio de interdição de São Januário, que a meu juízo não tem culpa de nada, sendo, isto sim, mais uma vítima nisso tudo.

A culpa não é do estádio, mas do comportamento de seus frequentadores, que muito longe de serem torcedores, são na realidade vândalos das tais “organizadas”, que se aproveitam da fragilidade das nossas leis e da incapacidade das autoridades de segurança para praticarem atos de incivilidade e selvageria, disseminados por todos os cantos do país. (Fecha o pano!)


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