08/06/2017 11:13:00

Cemig às escuras

Os riscos que corre uma das maiores empresas do país



Divulgação

Pouco se comenta, mas nós, enquanto consumidores, temos que ficar atentos à situação da CEMIG. Segundo a Moodys, agência de análise de risco, o plano de desinvestimento da empresa pode não ser suficiente para tirar a empresa do nível de endividamento elevado em que se encontra no curto prazo.

São mais de 10 bilhões até 2019 que teriam que ser refinanciados. Traduzindo para você, leitor, plano de desinvestimento é vender ativos, desfazer-se de bens que a empresa amealhou ao longo dos anos.

A pergunta é: Como é que uma empresa que até o governo Anastasia se vangloriava de ter ações negociadas na bolsa de Nova York e ser modelo de gestão inovadora chegou a uma condição financeira extremamente delicada?
O que tirou a Cemig do rumo?

Como costuma acontecer nos casos em que um avião cai, isso é fruto de uma conjugação de fatores. Assim como Eletrobrás, Cesp e Copel, a Cemig levou um tombo considerável com a MP 579, em 2012, que renovou antecipadamente as concessões por taxas menores.

A empresa mineira resolveu comprar briga na Justiça em relação a três usinas que respondem por metade de sua geração de energia, e o embate está no Superior Tribunal de Justiça.

Outro aspecto foram as aquisições de ativos e participações em outras empresas já com cenário sinalizando recessão econômica nos idos de 2014. A Cemig fez quase 30 aquisições e participou dos principais leilões de geração e transmissão no país. E fez isso acumulando uma dívida que hoje soma 16 bilhões de reais.

De 2006 a 2015, a companhia distribuiu 25,6 bilhões de reais em dividendos extraídos de um lucro líquido de 26 bilhões de reais, ou seja, 98,5% do total. Dividiu entre os acionistas quase 100% do lucro, não se preocupando em preservar o caixa da empresa, antecipar pagamento de dívidas e reduzir o custo financeiro de operações de financiamento para se proteger de cenários adversos, para os quais qualquer organização tem que se preparar.

Dificilmente observa-se, no ambiente privado de negócios, tão grave descuido na preservação de caixa para contingências e ou reinvestimento. No caso da CEMIG, este procedimento corrobora o entendimento de que a estatal foi gerida como se não houvesse amanhã.

Para o consumidor entender se isso alcançou o dia a dia da empresa, em momento algum a flexibilidade para parcelamento de débitos incrementado com a redução de multas e outros encargos havia sido oferecido. No fim do ano passado, ao menos nesse aspecto, houve males que vieram para bem.

É importante que se faça justiça, esclarecendo que o governador Fernando Pimentel recebeu essa “herança”. Mas, se ele não tomar medidas drásticas para a reversão do atual quadro, se permanecer agindo com lentidão no processo decisório próprio de gestão de estatais, ele também poderá, no futuro, ser incluído no grupo dos malfeitores.

DICA DE EMPREGO
Estão abertas as inscrições para os estudantes do ensino médio interessados em fazer curso técnico. Em Minas Gerais, são 16,8 mil vagas abertas para o segundo semestre deste ano. São 42 tipos de cursos técnicos, como mecânica, modelagem de vestuário, logística, enfermagem, telecomunicações, eletrotécnica e confeitaria.
Para participar do processo seletivo, basta o aluno estar regularmente matriculado na rede pública. A seleção será por sorteio, respeitada a proporcionalidade das cotas.

As aulas são realizadas simultaneamente ao ensino médio e tem duração máxima de um ano e meio, tanto nas modalidades presenciais quanto à distância. As inscrições devem ser feitas pela internet, até o dia 19 de junho. Mais informações no site do governo de Minas Gerais.


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