28/05/2017 12:00:00

De janeiro a abril, Ipatinga teve 500 acidentes com motocicletas

Dados oficiais apontam que, atualmente, a motocicleta é o veículo que está mais envolvido em acidentes em Ipatinga



Tiago Araújo

Arquivo DA


Acidente com motos pode ser considerado uma epidemia no Brasil
Acidentes com motociclistas são cada vez mais comuns nas cidades. Muitas vítimas ficam com sequelas graves, enquanto outras nem sequer conseguem chegar com vida a um hospital. Os que sobrevivem enfrentam o longo caminho da recuperação, e muitos passam a conviver com sequelas permanentes, enfrentando queda na qualidade de vida e produtividade profissional. Dados oficiais apontam que, atualmente, a motocicleta é o veículo que está mais envolvido em acidentes em Ipatinga.

De janeiro a abril foram registradas 835 ocorrências de acidentes na cidade. Desse total, 500 foram de batidas envolvendo motocicletas. Isso representa 15% de todos os acionamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), no município. E essa média vem se mantendo desde 2015, quando a equipe do SAMU começou a analisar os indicadores. A maioria das vítimas de acidentes de moto está entre 20 e 40 anos.

As informações foram divulgadas pelo coordenador do SAMU de Ipatinga, Tiago Tessaro que acompanhado da enfermeira do Núcleo de Educação Permanente, Janice Leite, recebeu a reportagem do Diário do Aço para fazer um alerta à população sobre os perigos que a motocicleta representa como meio de transporte.
Wôlmer Ezequiel


Tiago Tessara e Janice Leite compartilharam ao Diário do Aço dados sobre acidentes com motociclistas

O coordenador também revela outros números de acidentes de trânsito com motocicletas, em Ipatinga, que o SAMU obteve a partir de várias pesquisas. “Fizemos uma balanço de janeiro a abril, que mostra que entre todas as chamadas do SAMU, 40% são de causas externas, que são batidas de veículo, traumas, ferimento de bala, facadas, quedas em escada e etc. E 60% do total dessas chamadas de causas externas são acidentes com motocicletas. Então, é um percentual muito alto. Por isso que hoje o foco do SAMU é trabalhar com a prevenção de acidentes com motocicleta”, reitera.

Epidemia
O coordenador do SAMU, Tiago Tessaro, admite que o acidente com motos pode ser considerado uma epidemia, pelo menos no Brasil. Os sinistros de trânsito são a segunda causa de óbito no país. Tessaro até concorda que a moto é um veículo muito prático e econômico, porém os usuários não podem se esquecer de que é um meio perigoso de locomoção. “O índice de acidente em Ipatinga é extremamente alto, maior que qualquer média de qualquer outra cidade. A gente tem que trabalhar nessa questão de conscientização da população, principalmente do motociclista, que deve procurar pilotar de forma mais prudente, porque temos uma grande quantidade de jovens lesionados devido aos acidentes”, ressalta.

Dados nacionais confirmam a tragédia sobre duas rodas



Conforme o último boletim fechado pela Seguradora Líder, responsável pelo Seguro do Trânsito - Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), divulgado em 2015, as vítimas dos acidentes provocadas por motocicletas lideraram todos os indicadores. Naquele ano, quando foram emplacadas cerca de 370 mil novas motocicletas no Brasil, de um total de 330.962 indenizações pagas por invalidez temporária ou permanente, 301.544 foram para motociclistas (91%). Outro indicador considerado alarmante é em relação às indenizações pagas por morte. Conforme os dados oficiais, de um total de 22.889 seguros acionados, 14.760 foram por morte de motociclistas (64%).
Os pedestres ficaram em 2º lugar nas indenizações por acidentes fatais no período (27%). Já nos acidentes com invalidez permanente, os passageiros e pedestres apresentaram a mesma participação nas indenizações (18%).


Sequelas dos acidentes geram impactos na vida profissional e pessoal

Conforme o coordenador do SAMU em Ipatinga, Tiago Tessaro, as lesões mais comuns nos acidentes com motociclistas são escoriações leves, seguidas de fraturas fechadas, fraturas expostas, traumas abdominais e, por último, traumatismo craniano, com sequelas permanentes.
Arquivo DA


Acidentes com motos geram alto índice de morbidade, alerta o Samu

O coordenador também explica que as vítimas de acidentes de motocicletas têm uma maior morbidade, devido à natureza das lesões. Isso faz com que as vítimas demorem mais tempo para retomar suas atividades de rotina, diferentemente das vítimas de acidente automobilístico. “Essas lesões não só atrapalham a vida profissional, mas também a vida pessoal. Inúmeras pessoas que atendemos ficam paraplégicas ou então morrem. Outras têm que conviver com sequelas neurológicas permanentes, ficando acamados para o resto da vida”, enfatiza.




Mapeamento
Enfermeira do Núcleo Educação Permanente do SAMU, Janice Leite avalia os fatores apontados como principais motivos dos acidentes com motociclistas. “De acordo com as estatísticas, alta velocidade e ingestão de bebida alcóolica são os principais influenciadores, sem contar que alguns são inabilitados, o que também contribui para aumentar o número de acidentes”, explica.

Segundo a enfermeira, o SAMU também funciona como observatório de urgências, avaliando indicadores de acidentes e outras enfermidades para identificar os principais locais das ocorrências. “Está sendo feito um mapeamento na região e vamos tentar indicar os pontos que têm mais acidentes e tentar estudar com a administração municipal formas de diminuir ou evitar que esses acidentes ocorram. Mas é sempre bom lembrar que a principal maneira de evitar um acidente é ter muita prudência no trânsito”, afirma.

NEP
O SAMU também mantém em funcionamento o Núcleo de Educação Permanente (NEP), que tem o objetivo oferecer treinamento contínuo a várias equipes. Ao todo, são 81 funcionários que trabalham nos serviços de atendimento. Além dos treinamentos, o NEP também tem como função de analisar todas as estatísticas referentes aos atendimentos. A partir desse estudo, o NEP avalia o que pode ser feito para melhorar a área de saúde no município e evitar possíveis despesas.




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Comentários

Motociclista

29 de Maio, 2017 | 07:51
Tem que se buscar meios na diminuição dos ocorridos, um deles é a criação de corredores exclusivos, além de melhor conservação e melhoramentos das vias, punições mais rigorosas, etc. O usuário muitas vezes tem a moto não por gosto e sim por necessidade. Infelizmente, os eleitos muitas vezes não tem a minima capacidade de gerir um município, estado..., e estão no cargo, então dificilmente veremos melhoras, no trânsito, na segurança pública, etc.

Gildázio Garcia Vitor

28 de Maio, 2017 | 18:57
Adorei o comentário do Sr. Luiz Fernando: foi curto e grosso, além das gírias, que são maravilhosas. Parabéns!

Rômulo (rservulo@live.com)

28 de Maio, 2017 | 18:38
Perigo para os motociclistas são os buracos nas ruas de Ipatinga principalmente no bairro Ideal e o prefeito já recebeu o IPVA e o IPTU da população.

Miqueias

28 de Maio, 2017 | 18:25
NÃO BASTASSE SER PERIGOSO PELA SUA PRÓPRIA NATUREZA, AINDA TEM OS MOTORISTAS QUE NÃO RESPEITAM OU NÃO PRESTAM ATENÇÃO NO TRÂNSITO. E VOCÊ, MOTORISTA DE UM CRUZE, OU AZERA PRETO QUE ADORA ATROPELAR MOTOCICLISTA NO CANAANZINHO E FOGE SEM PRESTAR SOCORRO? NÃO VAI APARECER?

Luiz Fernado de Lima

28 de Maio, 2017 | 18:17
O nome desse veiculo tem que ser mudado pra PÉ NA COVA..Esse troço foi feito pro sujeito cair, e tem mais o camarada sobe em cima dessa pipoca e acha que é dono do transito não respeita nada nem ninguém aí fica dificil..As pessoas dizem que se conselho fosse bom a gente não dava ,,,vendia.... mas eu vou dar assim mesmo..voce que gosta de curtir a vida numa birosca dessa sai dessa vida ...vende essa giripoca ..porque senão tu vai usar um terno de madeira antes da hora...
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