18/05/2017 11:16:00

Pai Nosso...

Marcus Vinicius Ramos Gonçalves



Divulgação

Se há algo que não nos matará é o tédio. Viver no Brasil é desconhecê-lo. Mal chegamos em casa, depois de um dia de trabalho, e recebemos uma dose cavalar de adrenalina.

O Jornal Nacional noticiando o envolvimento do presidente e de outras figuras da República em coisas nada republicanas, foi enfático. O JN fez e desfez: bateu duramente no presidente e no senador (pó)Aécio.

Não mostrou as gravações e filmagens sobre as quais lastreou sua reportagem, e, no entanto... bateu. Intrigante. Como não se pode confiar na isenção da imprensa, em especial da Globo, e a quem eles estarão servindo?

Todavia, temos que nos ater aos fatos. As gravações, feitas em março pelo dono da JBS, sob orientação da Polícia Federal, ainda não foram mostradas. Contudo, vale lembrar, a JBS foi alvo, assim como alguns de seus concorrentes, de uma operação da Polícia Federal (em 17 de março p.p.) chamada de “Carne Fraca”.

A referida operação foi muito atabalhoada, e por isso, criticada. Não sabemos se operação Carne Fraca surgiu para pressionar a família Batista a revelar os esquemas de corrupção que engendrou em proveito da JBS. O que parece importar, neste momento, é que existem importantes fatos que implicam o comando do país.

No entanto, como tenho sempre dito aqui neste espaço, a situação merece siso. E agora? Impeachment? Eleições indiretas? Eleições diretas? Mais uma vez, devemos apelar para o “livrinho”: a solução, caso o presidente “caia”, passa pela assunção do presidente da Câmara.

Passa pelo o “menino maluquinho”, Rodrigo Maia, e a convocação, em 30 dias, de eleições indiretas, tocadas pelo Congresso Nacional. Em havendo eleições indiretas, qualquer pessoa maior de 35 anos, na plenitude de seus direitos políticos, filiada a um partido político, poderá candidatar-se. O eleito governará o país até 31/12/2018.

Pronto, resolvido.
Só que não…

Em verdade, num clima desses, o medo tomará conta da economia e nós, os mortais que vivemos no mundo real, trabalhando, pagaremos a dura conta de um país tomado pelas incertezas políticas que geram incertezas econômicas. Mais desempregados, mais recessão, mais gente morrendo à míngua. Gostemos ou não, é isso. Pagaremos a conta.

Penso que, em se confirmando as graves denúncias e “caindo” o presidente, seja por qual meio for, a medida mais acertada seria, via emenda constitucional, alterar o art. 81 para que seja convocada uma eleição presidencial direta, com mandato se iniciando a partir de 01/01/2018, por 4 anos.

E aí caberá a nós, o povo, escolher, com prudência, quem deverá conduzir o país. O atual Congresso não me parece legitimado a fazê-lo. Do contrário, estaremos a mercê sabe Deus do que... e só nos restará rezar: Pai nosso…

Sócio da Bertolucci e Ramos Gonçalves Advogados. Professor convidado da Pós-Graduação da FGV-RJ. Presidente da Comissão de Estudos em Comunicação da OAB/SP. Presidente do ILADEM (Inst. Latino-Americano de Defesa e Desen. Empresarial). E-mail: mvgoncalves@brgadvogados.com.br.


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