04/05/2017 17:02:00

Conselheiro afirma que Nippon sinaliza acordo com sócia na Usiminas

O conselheiro Luiz Carlos Miranda conversou reservadamente, na quarta-feira (3), em Ipatinga, com executivos da empresa japonesa



Divulgação


Osamu Nakagawa, Luiz Carlos Miranda e Kazuhiro Egawa


Na busca por uma solução para o impasse na disputa de poder entre a Ternium/Techint no Brasil e a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, dois maiores acionistas da Usiminas, o conselheiro Luiz Carlos Miranda conversou reservadamente, nesta quarta-feira (3), em Ipatinga, com executivos da empresa japonesa. Atendendo convite do representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo, o novo diretor do conglomerado siderúrgico da Nippon Steel Brasil, Kazuhiro Egawa, expos o ponto de vista da acionista quanto a questões referentes à administração da Usiminas e fez um pedido:

“Miranda-san, sabemos que você exerce uma grande influência no Conselho Administrativo e na comunidade. Portanto, gostaria que você nos ajudasse a resolver o conflito entre acionistas, porque o povo brasileiro tem que estar feliz, já que a Usiminas é um projeto japonês do Brasil e não temos interesse em sair daqui”.

Luiz Carlos Miranda encarou o pedido de Egawa como um “grande desafio”. Para ele, a Nippon Steel sinaliza por um acordo com sócia Ternium na Usiminas. Ao lado do chefe do escritório da Nippon em Ipatinga, Osamu Nakagawa, os comentários do novo diretor foram feitos em japonês e traduzidos para a língua portuguesa por um intérprete da companhia japonesa.

O pedido de Kazuhiro Egawa se baseia em uma proposta de gestão compartilhada feita pela Nippon Steel ao grupo italiano Techint/Ternium, na qual os executivos indicados pelas duas empresas se alternariam no comando da Usiminas e na presidência do Conselho de Administração. O objetivo é encerrar a disputa, que inclusive encontra-se na Justiça.

Conforme o advogado graduado em Direito Social e fundador da Força Sindical e do Solidariedade em Minas, a preocupação atual da Nippon Steel é tentar encontrar uma solução o mais rápido possível para a briga que está gerando para a Usiminas e toda comunidade da região "problemas por causa da falta de consenso".

“A Nippon deixou muito claro que não tem a menor intenção de sair do controle acionário da Usiminas. Quero ver em breve Nippon e Ternium, duas grandes empresas, negociando investimentos e projetos para a Usiminas”, afirmou o conselheiro.

Amor e carinho

Durante a reunião, Egawa deixou bem claro o amor e o carinho que a Nippon Steel tem pela Usiminas, uma parceria de sucesso que completará 60 anos no próximo mês, e demonstrou respeito a Ternium. “Um casal que não conversa não se constituiu”, comparou o executivo japonês.

“No dia-a-dia temos buscado equilíbrio entre os grupos gestores da Usiminas, como parte do processo de cooperação. Vamos trabalhar na mesma direção da Nippon e Ternium, para a construção de uma empresa que retome seu crescimento”, revelou Luiz Carlos Miranda, encarregado de propor o acordo de paz. “A falta de entendimento provoca instabilidade não somente nos negócios da Usiminas, mas também no futuro de uma geração de quase meio milhão de pessoas que moram na Região Metropolitana do Vale do Aço”, alertou o conselheiro, complementando: “Continuarei fazendo o possível e o impossível para tentar um acordo sobre a governança corporativa na Usiminas e encontrar uma saída para o impasse”.

De acordo com Luiz Carlos Miranda, a Usiminas desfruta do privilégio de ter duas grandes companhias como acionistas (o maior produtor de aços do Japão e o maior da América Latina), e “isso tem de ser capturado em termos de melhoria para todos, influenciando positivamente nos destinos do povo do Vale do Aço”.

“Tenho certeza que quando acabar essa disputa, toda a comunidade do Vale do Aço irá se beneficiar economicamente e socialmente”, disse. Nos bastidores e durante as reuniões do Conselho Administrativo da Usiminas, o conselheiro canalizará esforços pela reaproximação da Nippon e da Ternium. Paralelamente, dentro de duas semanas, Luiz Carlos e Kazuhiro Egawa pretendem cumprir agenda com uma série de reuniões com a comunidade (moradores, trabalhadores, empresários e políticos) para esclarecer a situação da empresa em Ipatinga.

Pacificador

Luiz Carlos convidou, no final do mês de fevereiro deste ano, os executivos das duas empresas para esclarecer a situação atual da siderúrgica, além de avaliarem um possível acordo sobre a governança corporativa. Na época, preocupado, ele alegou que “a Usiminas está passando por essa fase de conflitos entre os acionistas desde 2014, e a gente precisa pacificar isso o mais rápido possível. Eu tenho conversado com todos os acionistas da Usiminas, principalmente os acionistas controladores que administram a Usiminas para buscar a paz entre eles. A população está pagando um preço muito alto e a própria empresa também”.


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Comentários

Olegario

05 de Maio, 2017 | 16:09
Luiz Carlos sempre articulando uma maneira de levar vantagem em alguma coisa. Inocentes quem pensam que ele quer ajudar a comunidade Usiminas porque sempre usou os trabalhadores para se perpetuar no poder.
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