05/04/2017 12:03:00

Do Fundo de Garantia e da energia elétrica

Stefan Salej



Divulgação

Se você prestar muita, mas muita atenção nas filas de pessoas que estão retirando dinheiro na Caixa Economia Federal das chamadas contas inativas do Fundo de Garantia do Trabalhador (FGTS), você não vai encontrar nenhum engravatado e, como dizia Lula, de olhos azuis.

E só estão lá para receber seu dinheirinho, esperando horas na fila (que agora já é menor), os trabalhadores, humildes, desempregados ou sub-empregados. Brasileiros com pouca chance de progredir na vida, lutando para pagar as contas e lutando ainda para tentar conseguir emprego, quando tem.

Foi do dinheiro deles que o estado brasileiro, representado pelos governos e seus ministérios de trabalho e da fazenda, se apropriou, gerenciou e enriqueceu muita gente, algumas das quais estão hoje na fila de espera da Lava Jato. Se o governo anterior do PT não olhou e resolveu a questão, não tem justificativa. Agora, que o governo do partido dos trabalhadores tenha estado 17 anos no poder e não viu isso, não dá para acreditar.

Tiraram dinheiro de forma descarada, vil e imoral do trabalhador mais humilde, mais pobre. E nesta hora a pergunta é: porque ninguém viu isso antes, não protestou. O Codefat, o conselho que administra o FGTS, tem representantes sindicais. Na Câmara e Senado tem políticos que representam trabalhadores. Nada. Ninguém viu, ninguém sabe.

Então, parabéns ao Presidente Temer e seu Ministro da Fazenda, que acharam esse buraco nas contas e resolveram. E quantos outros, como tabela de imposto de renda desatualizada, ainda tem?

Outro exemplo de verdadeira maracutaia foi o resultado de uma ação popular que exigiu a revisão das contas de luz. E aí descobriram que pagamos 1.800 milhões de reais a mais na conta de luz o ano passado, porque a ANEEL, a agência responsável pelo controle do setor elétrico, errou e autorizou a cobrança indevida.

Agora começa jogo de empurra entre vários órgãos governamentais, desculpas sem sentido ou responsabilidade. O fato é que os economistas, engenheiros e não sei mais o que, que atuam na área, não souberam calcular. Ou fizeram cálculos que enriqueceram as distribuidoras no ano de crise, de falta de emprego e de atividade produtiva.

Por favor, me poupem dizendo que se enganaram. Pois fizeram isso de forma consciente, clara e de má fé, beneficiando as empresas em prejuízo da população. E nenhum deputado ou senador falou nada, os burocratas que estão nos enganando dizendo que não sabiam de nada continuam onde estão, e nem os procuradores de justiça, tão zelosos, fizeram alguma coisa. Enquanto estamos preocupados, o que está certo, com o desenrolar da Lava Jato, os elefantes estão passando por nós, tirando ainda mais dinheiro.

Os dois casos mostram que estamos longe, mas muito longe de sermos uma sociedade transparente e honesta com seus cidadãos. Imagina quantos casos como esses ainda estão nas telecomunicações, concessões, outras cobranças de impostos e taxas. É de arrepiar só de pensar nisso!

* Empresário, ex-presidente do Sebrae Minas e da Federação das Indústrias de Minas Gerais.


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