20/03/2017 10:57:00

Como garantir a manutenção das florestas?

Thiago Terada



Divulgação

O dia 21 de março foi escolhido, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), como o Dia Mundial da Floresta. A data convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de agua no sudeste do Brasil.

Tamanha é a importância da preservação das árvores que a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%.

O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas da Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, destacou-se que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, aqui no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois constatou-se também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores por ano, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de mudas são plantadas.

Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do setor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que, para sobreviver, necessitamos das florestas em pé. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global.

Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações, em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável.

Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que vão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada à preservação e uso sustentável dos recursos naturais.

Ações como essa atendem ao novo Marco Legal da Biodiversidade, que entrará em vigor em novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, adotando modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes.

Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente.

* Gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca, que fornece ingredientes naturais da biodiversidade brasileira para cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais.


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